domingo, 23 de agosto de 2009

Os índices de produtividades municipais e a minha vergonha pessoal

Eu ainda não li o caderno Dinheiro de ZH dominical. Mas o blog do amigo Ruy Gessinger, já abre pertinentes reflexões sobre o índice de desenvolvimento dos municípios gaúchos. Para ler mais, clique aqui.
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Tenho certeza que o Economista Rogério Anése vai se debruçar sobre esses dados e gostaria de ver suas explicações.
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Agora, convenhamos, não é de hoje que tenho propugnado a necessidade de uma nova matriz econômica. Nosso município, que está entre os 50 mais populosos do Estado, dentre 496, ocupa no ranking no índice de desenvolvimento municipal, o lugar n° 192.
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Nós temos, hoje, em Santiago, 2.109 propriedades. Eu tinha esses dados atualizados na campanha eleitoral. Demonstrei que temos 824 propriedades de zero até 20 hectates. E de 21 a 50 hectares são 545 propriedades. E de 51 a 100 hectares são 305 propriedades.
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Ora, temos 1.369 propriedades com menos de 50 hectares. Isso dá um índice percentual de 64.9%. E mais, se fôssemos considerar as outras 305 propriedades entre 51 e 100 hectares, teremos 1.679 das 2.109 do município com menos de 100 hectares.
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É claro, isso são número apenas.
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Mas vamos adiante. Temos em Santiago apenas 9 propriedades entre 2001 e 5000 hectares, o que totaliza 0.42%.
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E temos 22 propriedades que têm 1001 a 2000 hectares. Isso dá 1.04%.
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Apenas para completar o raciocínio: temos 184 propriedades entre 101 e 200 hectares e 147 propriedades entre 201 e 500 hectares.
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Tentei, durante a campanha, inutilmente, levantar um debate sobre os absurdos índices de produtividade das nossas propriedades. Quanto ao latifúndio, seja por exploração ou dimensão, estamos cansados de saber que ele não gera a distribuição de lucros e nem de riqueza, conquanto concentra-se nas mãos de poucos o excedente do capital fundiário.
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Agora, temos uma fantástica estrutura agrária formada por pequenas e médias propriedades, sejam familiares ou não. Considerando que as propriedades com menos de 500 hectares são consideradas médias, temos 2005 propriedades com menos de 500 hectares num contexto de 2109 propriedades.
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Só que os índices de produtividade em nossa região, mesmo dentro da pequena e média propriedade, são assustadoramente ridículos. E quem duvidar que compare os nossos números com outras regiões de estrutura agrária semelhante. É só ver a colonial Alto e Baixo Taquari da região da Lajeado, Estrela e Teotônia, por exemplo. Por que eles estão me metade rica do Estado e nós na pobre?
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Ninguém tem coragem de dizer que os nossos pequenos e médios pensam como os grandes. Não sonham em produzir dentro do que têm, sonham em comprar mais e o status quo é medido pelo número de hectares, de cabeças de vacas ou de sacos de soja. Quantas agroindústrias temos em Santiago? Quantas???
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Os nossos pequenos e médios proprietários pensam em criação de gado extensiva e em moncultura de grãos. Essa é a grande verdade. E quando vem na cidade, vão no mercado comprar verduras e até tempero verde, porque não têm noção de plantarem um pé de salsa.
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E o resto tudo é picaretagem, com ação de alguns atravessadores que compram a producão local...e está criado o espiral da perversidade. Andamos em círculos e sequer imagimanos que estamos dando voltas em torno de nós mesmos. Urge que se rompa com a tradição monocultural extensiva e com o pensamento arcaico do latifúndio. O latifúndio pode até ser lucrativo para alguns poucos, mas os índices de desenvolvimento regionais não podem ficar reféns dessa mentalidade produtiva cujas raízes agrárias estão nas capitanias hereditárias. Afora isso, aqui predomina o paternalismo oficial, todos querem ser gigolôs dos bancos, dar golpezinhos espertos e praticar malandragens conhecidas com os proagros da vida.
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E quando aparecem esses índices de produtividades municipais num jornal estadual, ninguém fica envergonhado. Ocupar o lugar 192 é um vexame.
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Essa nova geração de governantes locais, cito Chicão e Ruivo, têm consciência disso. Tanto que Chicão tentou intervir na matriz econômica (se estava certo ou não é outra discussão). Digo isso, porque existe um debate sufocado entre alguns setores locais. Júlio Ruivo, ao propor um pólo madeireiro, com todas as bases e diagnósticos corretos, também dá indicativos de que não se conforma com tudo isso que está aí colocado.
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Agora, não tarefa fácil mudar essa mentalidade arraigada ao longo de séculos e que antecede a própria existência do município.
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E o mais patético de tudo isso, é que a estrutura da divisão dos empregos em Santiago, segundo a RAIS, é a seguinte:
Serviços 40%, bota índice alto.
Comércio 30%, um bom índice.
Funcionalismo Público, 18%.
Indústria, 9%.
AGROPECUÁRIA, 3%

Isso mesmo, toda essa fantástica estrutura agrária, gera 3% dos empregos locais.
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Bem, eu queria que Santiago tivesse um debate qualificado sobre isso. Até hoje não vi tal. Vejo apenas pessoas, isoladamente, entendendo esse caos. Dentre elas, o Rogério Anése, com quem converso muito. E tínhamos o Zanine, que - não sei como - deixaram ir embora de nossa cidade. Esses são os cérebros que poderiam servir de luz para todos nós. Os políticos, fazem assistencialismo, são ocos, não estudam e querem se ajeitar. Essa é a grande verdade. É claro que eu não posso dizer tudo o que vejo sob pena de execração total, mas que as práticas reiteradas de manipulações des pessoas e dos comportamentos são conhecidas. Eu nunca vi nada de sério e consistente vindo dos nossos deputados, dos que nós votamos. Vejo práticas atravessadoras, clientelismo, assistencialismo; mas algo sério??? Falemos sério!!!
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Eu sei, é melhor apostar no conformismo, fingir que somos todos fazendeiros, e quem não é, sonhando em se tornar um. Somos todos avestruzes, e para essa publicação de ZH, vamos enterrar a cabeça na areia e deixar baixar a poeira.