A declaração do coronel Lauro Binsfeld, subcomandante da Briga Militar do RS, hoje publicado no Correio do Povo, página 18, de que o tiro que matou o sem-terra partiu de policial, abre agora importantes interrogações.
A primeira delas é que estão usando arma de fogo em reintegrações, o que contraria o Manual de Diretrizes Acionais para Execução de Mandados Judiciais de Reintegração. Segundo, fica claro o papel ideológico da promotora Lisiane Villagrande que se apressou em declarar que a execução foi "profissional", deixando escapar que, ao acontecer um crime, também deixou de cumprir suas atribuições legais e constitucionais, posto que o Artigo 129, VII, da Constituição Federal, é claro ao assegurar ao MP o o controle externo da atividade policial (...) Assim, estava ela investida de plenos poderes para fazer cumprir a Constituição e a Lei e não o fez; se assim tivesse agido, nada justificaria o descumprimento do Manual de Diretrizes.
Esse crime não pode ficar impune. O comando da Brigada e a governadora Yeda precisam ser responsabilizados, afinal não é hoje que se optou pelo confronto e a pancadaria com os movimentos sociais. Essa é a regra do coronel Mendes, palhaço que virou magistrado graças aos atalhos estatais de omissão ao se permitir uma excrescência como esse Tribunal Militar.
Pobres familias dos resistentes Sem-terras aguentando a pressão do latifúndio mais arcaico e retrógrado de nosso Estado, esse de São Gabriel. Aliás, daí emerge um líder trabalhista, Rossano Gonçalvez, que se põe ao lado dos opressores e dos poderosos, rasgando os princípios nobres do trabalhismo.
Imaginem o pavor que vivem essas pobres famílias que - sem outra alternativa na sociedade - optaram por resistir em busca de um pedaço de terra para daí tirarem sua sobrevivência.
Devemos repudiar esse discurso fajuto de que os sem-terra são baderneiros. Pode até existir algum excesso por parte de um ou de outro, mas a essência desse movimento é justa e visa a dignificar.
Quem não é baderneiro nesse Estado são as quadrilhas que assaltam os cofres públicos. Esses são senhores de bem, usam ternos ajustados, camisas de colarinho duro, desfilam em camionetões e luxuosos automóveis, tem proteção dos órgãos de repressão e ainda desafiam à justiça pagando competentes advogados que colocam o saber e o conhecimento à serviço desses, sem questionarem a origem do dinheiro que lhes é pago.
O Estado está corroído por dentro. A presença de quadrilheiros como João Luiz Vargas, dentro do Tribunal de Contas, de José Otávio Germano, delegado de polícia e deputado federal, Frederico Antunes (propineiro), Flávio Vaz Netto, procurador do Estado e quadrilheiro, Záchia, Dornel, fico nesses, é apenas ilustrativo o caso para mostrar a extensão da podridão do Estado. Sarney, Renan e Collor saqueiam lá em cima e esses saqueim aqui no sul. Será que não estava na hora de as pessoas limpas desse país darem um basta nisso tudo? Por que estão todos impotentes, covardes e omissos?
Nesse contexto, a ação dessas pobres pessoas que buscam uma terra, deve ser entendido e seus excessos minimizados. Cabe refletir porque é que não existe repressão contra os grande criminosos e quando o Ministério Público Federal tenta fazer à sua parte, ainda se insurgem contra a Instituição.
Os discursos dessa manhã, em nossa cidade, vão do petético ao ridículo: a culpa é sempre do MST.
E vou mais longe, em nenhum momento eu culpei esse pobre soldado que efetuou o disparo. Ele é uma vítima a mais. Estava ali trabalhando. E sei que ele ainda terá que se virar sozinho, pois logo ali será abandonado.E arderá a dor na consciência, com efeitos psicológicos que lhe afetarão em decorrência do crime. As pessoas que vão para a Brigada Militar são pessoas decentes, de bem, que estão buscando um espaço na sociedade. Do trabalho, vivem honestamente, com suas famílias, criando seus filhos. Eu sei bem disso, os brigadianos que eu conheço são pessoas honradas, sérias, limpas, decentes, justas. A culpa disso tudo é de quem usa a estrutura da Brigada para fins questionáveis, como esse onde colocaram policiais armados, num contexto de conflito previsível. Eu até admito, sabe-se lá se esse soldado não disparou essa arma acidentalmente ou por pavor, por despreparo, tudo é possível. O soldado não estava lá por ser bandido. Ele estava lá cumprindo seu trabalho.