O mês de julho é marcado por suas atipicidades. O frio, que enceta “novos” costumes e marca toda uma ritualística diferente em nossas vidas; roupas de lãs, fogo nas lareiras e fogões, chocolate quente e uma variedade de fantasias. A gripe A forçou o isolamento em cidades e retraiu as grandes manifestações. Assim, em compasso de espera e assistência, estamos deixando a vida passar.
Passei um bom final de semana, em casa, assistindo filmes, escutando Bach e Mozart, comendo pipocas, lendo alguns livros e curtindo intensamente o descanso da Lizi, que parou alguns dias, depois de correria e agitação das aulas no PPG em Ecologia. Ganhei da Marta o livro O OUTRO, de Bernhard Schlink, autor de O LEITOR. Aliás, esse livro O OUTRO, deu origem ao filme O Amante, aquele com Liam Neeson e Antônio Banderas.
Tudo OK com o miolo do meu livro, decidimos, em ultíssima hora, mudar o texto nas orelhas/abas. Eu e a Lizi aqui e o Guilhes e a Letícia em São Paulo. Manda texto, muda texto, corrige texto, ajeita as fontes...Finalmente, o Guilhes concluiu um texto sobre o autor e a obra.
Li o texto e fico impressionado como o Guilhes pega bem as coisas, tem uma percepção aguçada, um poder de síntese incrível e o dom da escrita. Embora designer, com seus 31 anos, ele escreve super-bem. Conheçam o texto produzido por ele que irá nas orelhas do meu livro:
Júlio Prates, (foto) nasceu e cresceu no Pampa gaúcho. É fronteiriço, recluso e maldito. Viveu longe do pago por duas décadas. Cursou Sociologia, Direito e pós-graduou-se em Letras. Apaixonado por política e militante anti-globalização, voltou-se para as questões locais: economia, política, valores e ritos do interior gaúcho. Isolado e incompreendido, transita entre a marginalidade e a maledicência. Para muitos, um louco, para outros tantos, um gênio.
Escreveu alguns livros, todos de caráter fortemente regional. Agora, com A ARTE DE ENGANAR O POVO, estréia um novo estilo. Em um viés sarcástico e ousado disseca as situações políticas e sociais do dia-a-dia. Ensina como os políticos se mimetizam sorrateiramente em meio ao povo. A imprensa gaúcha já começa a defini-lo como o novo príncipe, associando sua escrita ao estilo de “O Príncipe” de Maquiavel. Júlio é o maquiavélico da era digital, da brevidade dos e-mails e, por essa razão, não se volta aos impérios e tronos, mas aos pequenos reinos e feudos da manipulação, assentados na mentira que permeia a politicagem contemporânea.
É de Rousseau a célebre frase: "Maquiavel, fingindo dar lições aos reis, deu grandes lições aos povos”. Resguardadas as particularidades, contexto e época, Júlio Prates também finge ministrar valiosas lições aos políticos; mas, na verdade, está municiando o povo acerca das artes, técnicas, macetes e artifícios que os políticos utilizam para enganarem e ludibriarem seu eleitorado.
Guilhes Damian, Revista Veja
Confesso que adorei e meu sobrinho me surpreende pela sagacidade. Mal sei de onde ele e Letícia sacaram essa de Rosseau, ficou muito massa, como diz a Lizi.
Comecei a segunda-feira preocupado em fazer a edição mensal do Jornal A Hora, vou atrás de textos, publicidade e tudo mais. O corre-corre começa cedo. Quando vejo, já é perto do meio-dia e reencontro a Lizi para almoçarmos. Logo mais, às 14 horas, uma audiência, e noto como a nossa administração anterior de Jaguari atirou às traças os aliados de então.
Depois da audiência, dirigida pelo talentoso magistrado Rafael Silveira Peixoto, seguimos para a Prefeitura. No caminho, a LIZI me elogia e diz: matou a pau Chiquinho, foi o melhor. É curioso, mas ela ouviu somente eu. Mas valeu a força, ela é sempre assim.
O Júlio Ruivo, nosso Prefeito, já está nos esperando. E a pauta é imensa. Eu acho que o Júlio vai entrar para a História como o prefeito mais estudado de Santiago, isso é um juízo objetivo. Mestrando, será o primeiro prefeito de nossa cidade com o grau de Mestre. Mas tem aí um outro juízo, esse subjetivo, e esse sou eu quem sustento: Júlio Ruivo é o mais estudioso Prefeito de Santiago. É ultra-moderno, leva a sério os estudos e hoje, inclusive, soube que ele está estudando Max Weber, que lhe servirá de paradigma na construção da dissertação.
Júlio vai defender seu projeto de dissertação, no mês de setembro, em POA, na UFRGS. O título: “Análise Espacial do Serviço de Alta Complexidade no SUS do Rio Grande do Sul”. Hoje, o Prefeito explicou-me como será seu estudo, que envolve as 19 coordenadorias regionais de Saúde do Estado e, ao final, ele pretende investigar quais são as mais bem servidas e as menos servidas pelos serviços de alta complexidade, que envolve: imagens, oncologias, leitos de CTIs, radioterapias...
Eu acho que isso é muito bom para Santiago. Independente de questões partidárias, o mandatário maior da cidade ser um homem estudado, preparado e nisso Júlio Ruivo é exemplar e serve de modelo para todos nós.
Júlio também me contou que aquele buraco ali no asfalto, na Alceu Carvalho, quase no término do asfalto, início do calçamento, que tem gerado inúmeras reclamações da cidadania, foi feito pela CORSAN e esta, inclusive, foi multada pela Prefeitura. A partir daí conversamos sobre os problemas do asfalto no perímetro urbano. Só que as ruas de Santiago não serão todas asfaltadas como chegou a ser noticiado, embora algumas radiais sim, mas a “prioridade será o calçamento” assegurou-me.
Eu disse para o Prefeito que reconhecia que se fizéssemos uma pesquisa, talvez 80 ou 90% da população defende mesmo o asfaltamento. Eu me encontro entre a minoria, que é contra o asfaltamento das ruas.
Júlio Ruivo também me disse que se espanta (e ele foi nosso secretário de saúde) com a ausência de políticas preventivas no caso da Gripe da A. O pessoal entra, vai, vem, volta e não existe orientação, ponderou-me.
Acho que deve estar surgindo por aí uma campanha mais forte de esclarecimentos para nossa população.
Depois da reunião com o Prefeito Ruivo, fomos até o amigo Bactéria, apelido carinhoso do Rodrigo Kickov, um jovem designer, um ás talentoso desse meio digital, sócio/proprietário da RDA COM. Gosto muito do Bac e me identifico com sua peculiar inteligência, é um jovenzinho ainda, mas muito sério, grande leitor e curioso.
Lidamos com os nossos anúncios e depois de tudo concluído, fomos até o mercado, rede vivo, onde a gente compra brioches, um litro de leite, dois pacotinhos de massinhas e seguimos de volta para casa, já noite e escuro.
No caminho, ainda encontramos tempo para dar um alô para a Marta. Ela nos vê e faz festa. Não deixa a gente ir. Nos convida para comermos batata doce com mel. E, é claro, laranjas de umbigo e bergamotas, lá das 4 bocas. Que festa, quando saímos, em direção a nossa casinha, já estávamos sem fome, saciados...
Finalmente, noite adentro, voltamos para casa. O Totó, que estava sumido há 2 dias, dormia na porta e faz festa pulando e lambendo nossas mãos. Eu estava angustiado ante a falta de notícias e queria saber o que estava rolando no Brasil e no mundo.
Foi mais um dia em nossas vidas na cidade mágica de Santiago, um dia a mais na vida de um blogueiro.
Por fim, lendo o edital do concurso de biólogos do ICEFET noto que eles insistem em indicar a Constituição Federal de 1998.