Brizola já dizia: se a Globo quisesse todos os homens do Brasil usariam saias. Exagero à parte, ele tinha uma boa dose de razão. Poucas são as menininhas pobres de vilas, classe média e baixa, que não sonham com o atalho da vida fácil de modelo. São regras sociais ditadas pela televisão. (E nem vou falar do filho cantor ou jogador de futebol.)Na noite passada, parei para assistir um capítulo da novela global Viver a Vida, protagonizada, entre outros, por Thais Araújo e José Meyer.
Ela, menina pobre, negra, modelo, jovem. Ele, coroa, milionário, boa pinta. O resto todos já sabem.
Escrevam: o que vai dar de guriazinha pobre se atracando em coroa rico.
Eu, particularmente, acho tudo isso uma pouca vergonha. Mas, enfim, é a moda lançada pela rede globo. Se antes ainda existia algum pudor, com a mãozinha da novela das 8 vai ser um vale tudo.
Antes, viver a vida era ter uma eco-sport. Agora, é transcender da condição social num olhar, numa cantada barata e tá feita a aproximação de classes. Saem da bonato para os barcos no rio jaguari. Claro, só estou adptando a nossa realidade. Lá é um iate no Rio de Janeiro.
E não pensem que os coroas também não vão se espelhar no personagem. Vão adorar desfilar e aparecer entre os amigos com uma gatinha esbelta, tipo modelo, e posarem de milionários. E o povo até vai acreditar...e fantasiar. A moda vai ser um coroa num conversível (pode ser uma ranger) com uma jovenzinha...de preferência negra. Nada de família. Essa, só escondida, longe das câmeras.
Enfim, isso é viver a vida.
Pode ser que agora larguem do meu pé.