terça-feira, 10 de novembro de 2009

CPI da Corrupção: Stela acredita que fraude em licitações pode superar a casa dos R$ 300 milhões

Os 17 áudios da Operação Solidária, exibidos na CPI da Corrupção nesta segunda-feira (9), mostram que o esquema montado para fraudar obras públicas tem ramificações em municípios da Região Metropolitana e até cidades do interior do Estado. "Trata-se de um esquema poderoso que não se restringe ao governo do Estado, mas avança em direção a diversas prefeituras gaúchas", revelou a presidenta da comissão de inquérito, Stela Farias (PT).

Os áudios exibidos são de conversas telefônicas envolvendo o secretário de Habitação, Marco Alba, o dono da Mac Engenharia, Marco Antônio Camino, e o ex-secretário de Canoas Chico Fraga, indiciado pelas operações Rodin e Solidária. "Percebe-se uma clara relação de compadrio entre agentes públicos e privados. E o mais grave é que o esquema fraudulento deve estar ainda em operação", acredita.

Para a presidenta da CPI, há evidências de que o rombo produzido pela fraude em licitações públicas pode superar a casa dos R$ 300 milhões, como foi apurado pela Polícia Federal. "A partir das conversas que escutamos hoje, não é exagero supor que o desvio seja maior do que o noticiado", apontou Stela.

A parlamentar anunciou que, na próxima segunda-feira (16), a CPI deverá realizar uma sessão especial para a qual serão convidados os 55 deputados estaduais. Ela prometeu a exibição de vídeos, áudios e de fotografias, "Queremos mostrar a gravidade do tema que estamos tratando e sensibilizar os deputados que não integram a CPI, mas que não estão dispostos a acobertar os fraudadores dos cofres públicos".

Já o deputado Paulo Azeredo (PDT) deverá ir a Brasília ainda nesta semana para reforçar o convite para Magda Koenigkan, viúva de Marcelo Cavalcante, o ex-representante do Rio Grande do Sul na capital federal. Cavalcante morreu em circunstâncias não explicadas poucos dias antes de prestar depoimento no Ministério Público Federal.