quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

EM BUSCA DE UMA SAÍDA


Tenho uma velha coleção da Revista Planeta. Todas dos anos 70, início dos anos 70. Cada vez que leio um desses artigos, curto-os com uma intensidade singular, aprecio cada detalhe, as construções, as teses, os raciocínios, as viagens.

Viagens? Sim, viagens, porque tudo é envolto de uma maluquice muito grande. É tudo ou quase tudo lastreado em bases metafísicas. A tese do divino aprioristicamente domina o epicentro de tudo.

De quando em vez defronto-me com contos do Cortazar e até do nosso Caio. Adoro ler as previsões dos anos 70 para os anos 2000 e seguintes. É uma graça; quase tudo errado.

Sempre que tem uma profecia, tem chute e tudo perde a seriedade. Ou são ilações bobas, forçadas, que só os tolos acreditam. Prefiro acreditar na luta de classes, no confronto socioeconômico e nas grandes contradições que cercam nossa espécie, entre elas a tentativa de compatibilizar a ganância com o cristianismo.

Sou céptico acerca do futuro. Não sou tão neomalthusiano como aparento. Não gosto dos prelúdios catastrofistas de alguns ambientalistas. Acho até que a população mundial ainda pode crescer muito. Em 1600, por exemplo, tínhamos um bilhão de habitantes. Chegamos a 1900, com 2 bilhões de habitantes no planeta terra e os atuais 6 bilhões e meio ainda não querem dizer tanto. O planeta ainda comporta muitos bilhões de pessoas.

Minha grande preocupação é com a extensão dos céus e infernos. Como botar tantas almas no inferno? Que tipo de controle e quais os juízos para a condenação? Haverão recursos dessas sentenças divinas e diabólicas?

Verdade ou mentira, a realidade é que proliferam comércios deístas. Todos brigam contra o invisível, desafiam demônios criados nas mentes e tudo vai muito bem para o bolso dos que vivem do comércio da fé.

No Haiti, a culpa é do vudu e agora em descubro que em matchu pitchu foi uma tragédia climática provocada pelas almas indígenas revoltadas.

Credo, como sou ignorante. Não entendo nada disso. Sei apenas compreender o Totó, quando me saúda festivamente. Mas não entendo nada de jogos dos Deuses, de iras e castigos. Lendo as revistas Planeta fico ainda mais céptico e vejo minha alma cada vez mais longe da salvação. Cada vez creio menos.

Ainda não sei bem o que eu faço em Santiago ou o que Santiago faz de mim. Mas acho que virei um tolo. Ou sempre fui um. Quando vejo o que vejo e descubro o que sei, fico espantado. E mergulho cada vez mais no abismo de uma crise existencial.

Talvez, talvez, talvez...ei de achar uma saída. Procuro por ela em todos os lugares. Penso enquanto leio e estou sempre maquinando. Mas ei de achar uma saída.