quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Por que eu não vejo graça no futebol? Talvez Freud explique.

Hoje, eu parei, olhei para a Eliziane e proferi: “a Marcela deixou o BBB 10”. (tinha lido no site do Yahoo). E – em seguida – emendei: “o Cruzeiro ta fora e o Grêmio ta dentro” (tinha lido no blog do Rafael). A Eliziane me olhou com aquele ar de espanto e sentenciou: bebeu hoje?

- Não, é que eu sou normal. Respondi.

- Normal, tu normal? Desde quando te interessa por BBB e futebol? Sentenciou de novo.

- Ta bem, é que eu quero parecer normal, então preciso falar como os normais. Ponderei, ao que ela riu.

Agora falando sério.

Futebol é esporte. Obviedade ululante, diria Nelson Rodrigues. Digo isso, por que sustento que vale pelo esporte. Mas até hoje ninguém me tira da cabeça que é estranho homens ficarem admirando homens, conversando sobre homens, sobre a resistência física de homens. Se fossem 11 mulheres, aí eu acho que valeria a pena. Agora, ficar admirando homens correndo atrás de uma bola...sei lá. Eu devo mesmo ser louco. Não consigo ver graça nisso.

Mas é claro. Sei e entendo bem sobre as válvulas de escapes institucionais. Se o carnaval permite que homens liberem seu lado feminino, com direito a alegorias e tudo mais, o futebol permite que homens adorem homens o tempo todo, o ano inteiro...tudo em nome do esporte.

E aquela expressão da acasalamento depois de um gol...meu Deus, que coisa mais estranha. Aquilo parece até veadagem coletiva.

Ando na contramão? Sim, e daí, qual é o problema. Toda a unanimidade é burra.

Como todos sabem, eu sou um pouco brizolista. E Brizola já dizia que se a Globo quisesse todos os homens do Brasil usariam saias. Exagero? Talvez, mas o que Brizola tentava dizer é que as pessoas são facilmente manipuláveis. É o efeito manada, onde um vai o outro vai atrás.

Sou bem prático, esporte para mim é uma coisa. Futebol masculino, outra. Se depender de gostar de futebol para eu ser considerado normal, vou morrer anormal. Devo mesmo ser louco, mas eu não abro mão de ficar em companhia da Lizi para assistir a um jogo. E isso que eu não um homem tradicional...afinal não me enfeito de gaúcho, nem brinco de casinha/CTG para imitar as tradições. Odeio esteriótipos. Caricaturas, só do Santiago. O Oracy se vinga demais, aniquila com qualquer um e só deixa bonito um que outro, mesmo que não seja. É o poder de malversação do caricato.

Estou vivendo uma terrível crise de identidade. Como eu já ando mal de finanças, ando louco para arrumar uma igreja e dar 10% do eu ainda ganho. Quero me ferrar mais ainda. Eu me odeio.

Não consigo ser normal. Queria tanto admirar os homens e vibrar com seus lances e esforços físicos. Queria admirar o suor fétido que o másculo exala, mas não consigo...só o cheiro da Lizi me seduz. Queria tanto um divã. Queria me entender. Por que eu não vejo graça no futebol? Talvez Freud explique.