terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sobre o escândalo mundial de pedofilia dentro da Igreja católica irlandesa

A Igreja irlandesa e a polícia encobriram casos de abuso sexual infantil, diz um relatório devastador sobre abuso de crianças pelo clero no período 1975-2004 acusa a igreja e Garda de conluio para encobrir o escândalo.

Uma força policial foi conivente com a Igreja Católica para encobrir abusos de clérigos em Dublin, Irlanda, em grande escala, de acordo com um relatório que revela décadas de crimes sexuais cometidos por padres no país.

O devastador relatório de três volumes sobre o abuso sexual e físico de crianças pelo clero na capital da Irlanda, no período 1975-2004, acusa quatro ex-arcebispos, uma série de altos membros do clero e da An Garda Síochána - Serviço Policial Nacional da Irlanda - de acobertar o escândalo.http://www.garda.ie/
Considerou que a manutenção do sigilo, "para evitar o escândalo, a defesa do prestígio da Igreja e para a preservação do seu patrimônio"; era mais importante do que a justiça para as vítimas de abuso sexual e físico.

Quatro ex-arcebispos de Dublin - John Charles McQuaid, que morreu em 1973, Dermot Ryan, falecido em 1984, Kevin McNamara, morto em 1987, e o cardeal Desmond Connell, aposentado - não relataram os fatos, de seu conhecimento, de abuso sexual infantil à Garda (Polícia), de 1960 a 1980. Mas o relatório acrescentou que todos os bispos da diocese, no período abrangido pelo inquérito tinham conhecimento de algumas queixas.
O relatório, divulgado hoje pelo ministro da Justiça irlandês, Dermot Ahern, também concluiu que a maioria dos sacerdotes fez vista grossa para os abusos; embora alguns tivessem apresentado denúncias a seus superiores, elas não foram consideradas.

O relatório, encomendado pelo governo, critica fortemente a Garda (Polícia Irlandesa) e diz que altos membros da força consideraram sacerdotes como sendo fora da sua alçada de investigação. A relação entre alguns gardai (policiais) sêniores e padres e bispos em Dublin foi descrita como "inadequada".

Em vez de investigar as queixas das crianças, os policiais (gardai) simplesmente as relataram à diocese católica de Dublin, diz o relatório. A Garda Síochána é acusada de conivência com a igreja por abafar, pelo menos, uma queixa de abuso, e deixar o presumível autor fugir do país.

Ahern disse que não haverá esconderijo para os agressores, mesmo (ou muito menos!) os que usavam um colarinho clerical. "As pessoas que cometeram esses crimes terríveis - não importa quando aconteceram - continuarão a ser perseguidas" ."Devem saber que não há esconderijo. Que a justiça - mesmo que possa ter sido adiada - não será negada", disse ele.

Ele disse numa conferência de imprensa: "Eu li o relatório como ministro da Justiça. Mas, como ser humano - como pai e como um membro desta comunidade -, eu senti um crescente sentimento de repulsa e raiva. Repulsa pelos os horríveis atos cometidos contra crianças.

Raiva pela forma como se lidou então com essas crianças e por quantas vezes os abusadores foram deixados livres para agir novamente". O Centro de Crise de Estupros de Dublin acolheu com satisfação o relatório, dizendo que era "um reconhecimento do fracasso vergonhoso da nossa sociedade em cuidar dos nossos filhos". N. do T.: Da nossa sociedade, não, do Estado!!

O relatório afirma que os altos escalões clericais encobriram os abusos durante quase três décadas e que as estruturas e as regras da igreja facilitaram o encobrimento. Diz também que as autoridades estaduais contribuíram com a impunidade, permitindo à igreja ficar fora do alcance da lei.
A Comissão Murphy de Inquérito sobre o abuso de crianças em Dublin identificou 320 pessoas que se queixaram de abuso sexual infantil entre 1975 e 2004. Ela também afirma que desde maio de 2004, 130 queixas contra padres que atuam na arquidiocese de Dublin foram feitas.

O relatório detalha os casos de 46 padres culpados de abuso, uma amostra representativa de 102 sacerdotes sob sua jurisdição. Mas conclui que não havia nenhuma evidência direta de uma rede organizada de pedofilia entre sacerdotes da arquidiocese de Dublin, embora diga haver algumas conexões preocupantes. Um padre admitiu ter abusado de mais de 100 crianças. Outro disse ter cometido um abuso a cada duas semanas por mais de 25 anos.

O relatório destaca o caso dos padres Carney e McCarthy que, em um caso, abusaram ambos da mesma criança. Os abusos de Carney, muitas vezes ocorriam em piscinas, e, às vezes, quando ele estava acompanhado de outro padre.

O relatório afirma só após 1995 a arquidiocese começou a notificar as autoridades civis de denúncias de abuso clerical. A Comissão conclui que, à luz deste e de outros fatos, a lealdade primordial de cada bispo era com a própria igreja.
Um movimento da arquidiocese de fazer um seguro de responsabilidade civil decorrente de abuso clerical foi, de acordo com o relatório, a prova de seu conhecimento do abuso sexual infantil como um custo de enorme potencial.

O relatório, de centenas de páginas, detalha os abusos cometidos. O comissário atual da Garda Síochána, Fachtna Murphy, disse que o relatório feito é de leitura difícil e perturbadora, detalhando várias instãncias de abuso sexual e a falha da Igreja e das autoridades do Estado em proteger as vítimas".

Murphy pediu desculpas às vítimas que não tiveram a resposta e proteçãoque mereciam. O papa Bento 16 foi hoje instatado a ir à Irlanda e pedir desculpas pelo comportamento do seu clero. Um militante dos direitos das vítimas chamou o papa a comparecer e pedir desculpas pela "traição às crianças" por quem deveria dedicar-lhes amor.

John Kelly, do irlandês Survivors of Child Abuse (Sobreviventes de Abusos contra Crianças), disse que apenas uma visita papal irá exonerar a igreja mundial da culpa pelo escândalos de abusos. Não, não creio que haja perdão para tais atrocidades. ( fonte: http://detudoblogue.blogspot.com/2009/11/em-nome-do-estado-e-da-igreja-in-of.html)