segunda-feira, 15 de março de 2010

Uma (in)completa campanha de vacinação, por: Layse Ventura

Uma gripe com pelo menos 16.455 mortes abrangeu mais de 213 países e territórios em quase um ano, de acordo com o levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Depois da primeira onda pandêmica, no inverno do ano passado, o Brasil iniciou nesta semana a campanha de vacinação contra a gripe A, a fim de se preparar para a próxima estação fria de 2010 contra o vírus H1N1. Mas o que muitas pessoas não entendem é por que alguns grupos foram priorizados nesta campanha e outros ficaram excluídos do calendário de vacinação.

Embora recomende quem deva tomar a vacina, a OMS deixa claro que fica a cargo de cada país definir quem será vacinado e onde a vacina estará disponível, levando em consideração qual o objetivo de cada nação. Segundo a Organização, os objetivos podem ser manter o funcionamento da estrutura sanitária, prevenir maior mortalidade e reduzir a transmissão da doença.

No Brasil, o ministério da Saúde disponibilizou cerca de 91 milhões de vacinas. A campanha de vacinação visa manter o funcionamento dos serviços de saúde e diminuir o risco de adoecer e o número de mortes. Para isso, serão vacinados trabalhadores de saúde; indígenas; gestantes; população com doença crônica; crianças de seis meses a menores de dois anos; população de 20 a 29 anos; população de 30 a 39 anos; e idosos com mais de 60 anos com doenças crônicas. Veja o calendário:

De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, um dos pilares para definir os grupos de maior vulnerabilidade a serem vacinados foram os parâmetros da OMS. Além disso, houve uma análise de dados da primeira onda pandêmica no país e da segunda onda pandêmica no hemisfério norte. Para o ministério da Saúde, prevenir não é o objetivo da campanha. “Ressalta-se que a vacinação em massa para a contenção da pandemia não é o foco da estratégia estabelecida para o enfrentamento da segunda onda pandêmica em todo o mundo. Por um motivo simples, esta contenção não é mais possível em todo o mundo.”

Segundo uma pesquisa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA publicada em uma reportagem da Business Week, apesar de a gripe A se disseminar mais devagar do que a gripe sazonal, quando ela se espalha é mais normal para afetar crianças. Aliás, não faz muito tempo que crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas foram dispensadas das aulas no Brasil como tentativa de conter a contaminação desenfreada do vírus H1N1.

Em países que tiveram altos índices da gripe, as campanhas de vacinação no inverno geraram desapontamento e estoque. Na França, foram disponibilizadas 94 milhões de vacinas, mas, segundo a BBC, até o início de janeiro somente 5 milhões de pessoas haviam se vacinado. Os franceses utilizaram, além das categorias adotadas no Brasil, uma específica para estudantes.

Já nos Estados Unidos, desde outubro foram compradas 126 milhões de vacinas, mas 75 milhões foram utilizadas até o último mês de fevereiro. O departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) norte-americano deu prioridade às pessoas de seis meses a 24 anos de idade. O órgão justificou que foram verificados muitos casos de gripe entre crianças e adolescentes, já que estes têm uma vida social intensa no dia-a-dia.

Caro leitor,

Dentro deste panorama, você concorda com o fato de o Brasil não dar prioridade também às crianças e jovens na campanha de vacinação?
Você concorda com o objetivo da campanha de vacinação?
O Brasil está fazendo uma campanha pela metade ou os outros países que fizeram demais?