A viagem até Erechim foi muito boa, diria que foi até tranqüila, não fosse o absurdo das filas de caminhões que se formam a partir de Ijuí. Some-se as filas, uma chuvarada, e caos fica completo. A gente vai viajando a 20, 30 km por hora. E quando após muito esforço consegue-se ultrapassar um caminhão, sempre surge outro a frente. Uma viagem que deveria ser – no máximo – 5 horas, demorou quase 8. E dê-lhe café preto.
(foto: Sponchiado, diretor financeiro; Bruno, reitor atual da URI, Spinelli, futuro Reitor e o blogueiro).
Eu a Lizi – grávida e proibida pela Doutora Sônia de viajar – decidimos aceitar a um gentil convite do Reitor Bruno Mentges, que convidou-nos para conhecer a Reitoria e para trocarmos algumas idéias sobre universidade e ensino superior.
Ao chegar no gabinete da Reitoria, que fica bem em frente a sede da URI, o chefe-de-gabinete já nos esperava. Um senhor educadíssimo, formalmente vestido, vem sorrindo até nós e ao invés dos tradicionais chás de banco que a gente ganha aqui em Santiago e em algumas prefeituras da região, fomos imediatamente anunciados e conduzidos até a Magna Sala. Bruno, com seu estilo bonachão, sorridente, despojado de formalidades, nos recebe sorrindo, nos abraça e festeja a nossa chegada. Acreditem, nos esperou com chimarrão pronto, só que nem eu e nem a Lizi somos do mate e preferimos cafezinho. Eu conversava bastante com o Bruno quando da instalação da URI no Centro Tecnológico do Chapadão, até em função de minha atividade profissional na Prefeitura de Jaguari. Mas depois disso, conversei rapidamente com ele, umas duas vezes, na própria URI e não nos falamos mais, exceto por e-mail.
Bruno me chamou a atenção em função de uma correção que fez numa matéria que escrevi, há uns dois meses atrás, sobre a composição do colégio eleitoral votante na eleição da URI. Com seu sotaque fortemente alemão, mas profundamente dócil, “nós íamos te mandar um e-mail corrigindo, mas depois ficamos constrangidos em te corrigir...”. Ademais, Bruno explicou-me – com detalhes – que o parco peso da representação estudantil, alvo de uma crítica minha, era resultado de um texto legal já existente e brincou “desde o tempo da Dona Aida”, alusão a defasagem histórica da resolução que regerá a eleição.
O texto a que ele se referia, resolução 348/CUN/01, realmente apresenta uma composição diferente da que publiquei. Vamos por parte, professor Clovis.
Quem vota na comunidade?
Prefeito – 1 voto.
Vereadores – 4 votos da mesa diretora. Eu disse que era um.
ACIS – 1 voto.
Bispo – Diz o Bruno que Santiago não tem bispo, mas eu acho um baita preconceito...temos o Bispo da Quadrangular, da Universal...rsrsrsrs. É que eles se referem a bispo católico.
Delegado de educação, não temos, é de São Borja.
Todos os juízes do município votam, sejam estaduais, federais, do trabalho. Eu disse que só um votava.
Todos os promotores de justiça do município, sem exceção, todos votam. Aqui também errei, eu disse que era só um.
O vice-presidente da Fundação, FURI, o Gilberto Girardon Kolinski, também vale um voto.
Depois dessa demorada explicação do Bruno, notei o quanto estava errada minha informação inicial, mas corrigo-a, portanto.
Trocamos muitas idéias sobre Santiago e Bruno é super-atualizado de tudo que está acontecendo e sabe detalhes. Noto que ele tem um carinho muito grande pelo Professor Chico Gorski e lembra-me, com gratidão “que o Chico foi o primeiro a me indicar como reitor e nunca me esqueci disso”.
Nossa conversa foi extremamente longe. Houve uma longa troca de impressões. Conversamos durante algumas horas, embora eu não tenha cronometrado o tempo.
Spinelli gosta muito de análises das realidade regionais, cadeias produtivas, processos migratórios, composição étnica, e fala na riqueza de Erechim “a partir de uma saldo extremamente positivo do processo de imigração...aqui alemão é super-amigo do judeu, o polonês é amigão do italiano e resultou dessa fusão uma localidade próspera, assentada no trabalho, na produção”. Depois de analisar longamente a região de Erechim, Spinelli me falou das vantagens da “grande diversidade cultural, do ganho dos intercâmbios de regiões com realidades fundiárias diferentes que se entrelaçam na concepção da URI regional”. E passa a dissertar – com detalhes – sobre sua região, dos campos de cima da Serra, e revela-se um admirador do pessoal do campo aberto, do pampa, que segundo ele “é dócil, hospitaleiro e atencioso”. Noto, ao longo da conversa, que Spinelli não é marxista, mas noto mais, noto seu perfil ideológico bem claramente.
Contou-me que gosta muito do Professor Chico, a quem ele vê como uma pessoa reta, exemplar, aplicada, dedicado e sério. E sintetizou “um baita sujeito”. Nessa altura do diálogo, o Reitor Bruno, que a tudo assistia, interrompe e emite um juízo forte sobre Chico Gosrki “ele é um vencedor, já é um vencedor em sua vida pessoal” e passamos a conversar sobre a vida do Chico, uma vida espinhosa lá na sua base, cheia de privações materiais, mas que foi sendo superada com dedicação, esforço e amor ao magistério. Spinelli definiu Chico como “compreensivo e flexível”.
Também refletimos muito sobre a emergência dessa nova realidade que se impôs as universidades comunitárias. A política do governo federal para o ensino superior, a emergência das virtuais e os IFETs. Tanto Spinello quanto Bruno tem um discurso afinadíssimo, eles entendem bem a conjuntura, e noto de que são uns aviões. Spinelli ressalta que “nesse momento de turbulência nós estamos unidos, esse momento é muito delicado, mas estamos superando tudo com seriedade, estudos, análises bem fundamentadas”. E explicou-me que, hoje, a URI Erechim “tem cerca de 5 mil alunos, entre graduação, pós graduação e escola básica”. “Investimos pesado em novos cursos, no Mestrado em Ecologia, preparamos 11 doutores em convênio com a UFSCAR, investimos muito no Doutorado em Engenharia de alimentos, fizemos novas aquisições de áreas...”.
Nesse momento, interrompo o professor e pergunto sobre a situação financeira da URI/Campus de Santiago, se existem dívidas, essas coisas. Bruno, categoricamente, incisivo como sempre, “a URI de Santiago está bem administrada, fez pesados investimentos para se reposicionar em face das exigências legais, do MEC e de conjuntura, mas esse perfil de gastos (desde rampa para deficientes) tudo, tudo, foram gastos que todas as unidades tiveram que empreender, não são procedentes essas críticas”, ponderou.
Também, ao longo da conversa, fiquei sabendo que uma representação de Santiago irá para a pró-reitoria de Ensino na chapa de Spinelli e nossa cidade ascenderá à Reitoria a partir de julho desse ano.
Perguntei a ele sobre a Professora Aida e ele me disse que a “conhece pouco”, que participou de algumas reuniões onde ela estava, mas que sabe muito pouco sobre ela.
Conversamos também sobre sucessão presidencial, assistimos a um vídeo sobre a URI e trocamos idéias sobre diversos assuntos. Parte, eu volto, quando as chapas estiveram fechadas.
Ao sair, na despedida, ganhei o livro CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, do próprio Spinelli.
Foi uma bela tarde, passei momentos agradáveis em companhia desses líderes do ensino superior. Quase ao final, também conheci o professor Sponchiado, um homem aplicado, alta seriedade e responsável em conduzir as finanças de toda a URI. É o Pedro Mallan deles.
Minhas impressões e revelações virão noutro momento. E a segunda parte dessa matéria, ao longo da quinzena.