Eu vinha postergando minha manifestação pessoal sobre o destino de nossa universidade. Sou um cidadão santiaguense e tenho o ético dever de ter posição. Não gosto de gente que fica em cima do muro, de quem faz jogo duplo e de quem tem medo de ter posição.
Nesse sábado, ás 20.30 horas, será a grande festa dos 18 anos da URI em Santiago e o evento merece ser saudado. Estarei lá.
Primeiro, considero a Universidade Regional integrada de fundamental importância para nossa cidade e região. Ponto.
Acho que a Professora Sandra Oliveira é uma pessoa muito bacana, muito dedicada à educação, muito séria, noto amor em tudo o que faz. Impressiono-me com sua seriedade, com a bondade de seu coração. Se fosse ela, a candidata a Diretora-Geral, com toda a certeza, hipotecaria-lhe o meu mais amplo , geral e irrestrito apoio. Tenho no Professor Pinheiro, um homem digno, um profissional talentoso e competente. Nunca o critiquei, sempre reconheci suas virtudes, sempre o elogiei, sempre na sua ausência. Não tenho a menor dúvida acerca de sua conduta e de sua honradez. Não gosto da professora Aida, não gosto de suas idéias, acho que ela representa o atraso, sou convencido de que se trata de uma pessoa de índole autoritária e – no caso de uma eventual vitória sua – a nossa universidade vai ser mergulhada num antro de perseguição, ela vai incentivar conluios familiares e sua visão sobre a Educação é assentada em bases clientelistas, assistencialistas e troca de favores. Isso é o avesso da própria essência da ciência e da educação. Reconheço, entretanto, que Dona Aida é uma mulher exemplar, uma mãe digna, e tenho grandes amigos em sua própria família. Por exemplo, se o seu filho, o Professor Fredy fosse o candidato da oposição, e eu votasse, eu votaria nele, pois noto que se trata de uma pessoa aberta, democrática, bacana, culto, inteligente. Tenho o mesmo carinho pelo seu neto, o jovem Juliano.
Não acho que a URI seja moderna. A atual gestão que administrou a URI fez o que pode, sempre entendi as limitações que as circunstâncias materiais impuseram a todos nós. Minha relação cidadã com o ensino superior em minha cidade sempre foi muito crítica. Sempre tive divergências em muitos aspectos com a atual direção da URI. Mas louvo que sempre encontrei espaços para divergir, para criticar e para elogiar. Creio que meu apoio crítico é sincero e edificante. Universidade não é escola de cordeirinhos, sua razão de ser é a formação de uma massa crítica e de um contingente rebelde. A Pesquisa precisa ser crítica, a rebeldia é o motor da busca por novos horizontes.
Conservadores apenas reproduzem a ordem dominante. Querem a manutenção da ordem e do que é como está e do status quo das oligarquias que mandam em Santiago e região. Dentro dessa perspectiva, nossa universidade deixa muito a desejar, em todos os cursos. Ensina à subserviência e prepara para o mercado, onde os corpos adestrados vão apenas se ajustar na sociedade concorrencial.
Posiciono-me, abertamente, em favor do nome do Professor Chico Gorski. Nesse quadro, nessa conjuntura, ele é o melhor nome para gerir os rumos da universidade pelos próximos anos. Não que Chico seja um revolucionário, um transformador, não se trata disso. Chico é um homem de índole democrática e por isso mesmo, aberto às inovações científicas, literárias e tecnológicas. Esse espírito aberto e essa índole democrática são essenciais para o avanço das lutas universitárias.
Tenho compromisso histórico com o que digo. Não estou dizendo que teremos uma universidade de vanguarda e sintonizada com as aspirações populares. Mas estou dizendo que vejo no Professor Chico uma cabeça aberta, uma mente livre, e ele, na condição de Diretor-geral do campus de Santiago, pode – sim – representar um avanço, seja nas concepções de vanguarda das pesquisas universitárias, seja na conjunção da mente democrática com as aspirações críticas que emergirem, eventualmente, do corpo discente e docente.
Chico é um democrata, uma pessoa sensível, maleável, aberta, um coração puro que emergiu das profundezas das dificuldades materiais e galgou um espaço digno na sociedade. Mas chama muito a atenção de quem sabe ler sua vida, a partir de sua história de vida (apenas estou parafraseando Bachelard), que ele não tem uma essência conservadora e sua índole é boa. Tenho certeza que Chico, se eventualmente vencer, não vai perseguir ninguém, vai seguir sorrindo para todos, aliados e adversários, e vai ser um grande líder universitário. E mais, serei o primeiro a criticar o Chico se ele promover o empreguismo de familiares.
Ademais, ele terá como companheira de gestão a professora Michele, uma jovem, uma moça querida, sensata, inteligente, bem formada; sei lá, a dupla é perfeita. Michele é dedicada ao trabalho, é séria, tem um baita caráter. E a pessoa aí que vai cuidar das finanças, o Padilha, é limpo, limpo, limpo. Conheço-o pouco, é verdade, mas nunca ouvi falar nada que o desabonasse.
A URI é uma universidade da comunidade, ela é de todos nós, ela é dos santiaguenses. O que eu abomino é que têm pessoas com a Dona Aida que se acham donos da universidade e agem como se tudo isso, que é da comunidade, se tratasse de um bens privados. Cabe a nós, santiaguenses, gerir os rumos e o destino da nossa universidade. Eu tenho essa consciência. Podemos até descobrir outros caminhos com o tempo, depende do nosso arbítrio, da nossa intervenção, da nossa ação ou da nossa omissão. Prefiro até errar com a ação, mas abomino pecar devido a omissão. Minha ação nesse momento, é minha posição, aberta e transparente, e torço para que todos os santiaguenses e membros da comunidade regional, professores, alunos e funcionários da URI tenham posição. E mais do que ter posição: explicitem essa posição.