domingo, 13 de junho de 2010

Civilidade, educação e democracia. Xô empreguismo familiar

A sociedade santiaguense reagiu com profunda indignação ao saber dos vilipêndios agressivos cometidos contra a Professora Michele Noal Beltrão, coordenadora do curso de Direito da URI, que é candidata a diretora acadêmica da universidade.

O episódio, aliás, só corrobora o entendimento que a sociedade já tinha do tipo de formação que alguns acadêmicos estão recebendo nas licenciaturas da UNIVERSIDADE: intolerância, radicalismo, prepotência, ausência de civilidade, ausência de senso democrático e fundamentalismo acadêmico.

Os processo eleitorais, as disputas de teses e a comparação de propostas e visões diferentes sobre o encaminhamento de uma gestão universitária, inserem-se num contexto de liberdade, de democracia e de enriquecimento do momento. Todas as pessoas civilizadas entendem que esse momento é fecundo e próspero, pois do contraditório pode - sim - gestar-se uma síntese, que é o somatório das virtudes. Entretanto, esse exemplo que é dado pelos simpatizantes de chapa de oposição, agredindo e tentando impedir até a exposição verbal de motivos de uma concepção, aponta para um rumo perigoso, totalitário, fundamentalista, anti-democrático e revela que tais cabeças não sabem conviver com o contraditório.

As pessoas da sociedade não votam, mas torcem, de uma forma ou de outra; todos nós nos posicionamos. Eu, por exemplo, tenho em casa a LIZI, que é Mestranda no campus da URI de Erechim e vai votar aqui em Santiago. E assim são os pais, tios, primos...que estudam na universidade. O espirito democrático, de quem é democrático, realmente contagiou a sociedade santiaguense.

Ontem a tarde, eu recebi diversas ligações. Mas duas delas, me chamaram muito a atenção. Uma delas, de um político da região, um importante político, que era meio simpático a chapa de oposição. Ao tomar conhecimento de extensão do empreguismo feito dentro da universidade e das agressões contra a professora Michele, ele decidiu não mais se manifestar, pois segundo me disse, estava mais em dúvida que em certeza. Outra ligação, foi de um empresário do nosso meio, esse já é notório de quase todos, mas ele - reconhecido, influente, poderoso - ao tomar conhecimento das baixarias, decidiu reposicionar-se e agora está com a chapa de Chico e Michele.

Esses dois exemplos sintetizam bem a virada que está ocorrendo. As pessoas começaram a ver a verdade escondida atrás de tanta coisa não revelada, especialmente do cabide de emprego familiar que fizeram com o ambiente universitário. E agora, a baixaria, as agressoes, as vaias, pois ao impedirem uma pessoa delicada, fina, educada como a Professora Michele, de falar e de expor suas opiniões, ultrapassou qualquer limite tolerável pela sociedade santiaguense. Nessas alturas, a debandada em nome do bom-senso é geral.

Ademais, cresce em Santiago o entendimento de que a Universidade precisa é de qualidade, e que o ensino e a pesquisa universitários são sérios demais para ficarem nas mãos de grupinhos familiares que se apropriaram da educação superior em Santiago. Educação, a rigor, não é mercadoria e nem a universidade pode se prestar para perpetrar um estelionato acadêmico, pois na medida em que os resultados práticos são pífios, surgem os questionamentos. Universidade não pode ser antro de empreguismo de familiares. Universidade séria exige pessoas qualificadas, bem formadas, e o critério para as escolhas docentes precisam ser assentados na Meritocracia e não no parentesco.


Mas que bom que possamos estar fazendo esse debate, nesse momento.

Agora, quando a sociedade reage escandalizada com as agressões contra uma candidata a diretora, muitos ficam sem entender. Mas é difícil não entender? Tudo o que está acontecendo é produto da baixa qualidade, estão formando gente que não sabe conviver com o contraditório, que exige submissão de pensamento, que exige sujeiçao de vontade. Imaginem o que vão fazer com a cabeça das crianças e adolescentes quando esses mesmos forem formar as gerações santiaguenses? Que tipo de educação vão passar para os nossos filhos?

Alguém teria coragem de confiar a educação de seus filhos e esses professores intolerantes, radicais e querem impor um único modo de pensar?