segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sobre a prova

Eu sempre defendi as lutas históricas da OAB; sempre fui muito simpático as tomadas de posições da entidade.

O Exame de ordem me é bastante contraditório, pois não sou totalmente contra, embora reconheça-o como totalmente inconstitucional. Se é para exigir proficiência, que se implantem para todas as profissões regulamentadas. Temos maus médicos e arquitetos tanto quanto maus advogados.

Eu fui um concurso nacional, recentemente, e fui avaliado por uma banca formado por 3Doutores. Tive a terceira maior nota. É claro, os critérios de escolha, não eram pegadinhas e perguntas sem respostas.

Esse exame de ontem é uma piada. Visava apenas reprovar ...e pronto. Vou dar um exemplo para os leitores do blog, que são leigos. Eu sabia e sei que o empregador, o patrão, pela CLT, não tem direito a requerer o benefício da assistência judiciária gratuita em suas lides.

Isso é texto legal, em pleno vigor, não foi revogado e nem nada.

Só que - acreditem - tem uma Súmula do TST - Tribunal Superior do Trabalho - que diz que o empregador, o patrão, tem direito - sim - ao benefício da assistência judiciária gratuita em suas lides.

São dois institutos jurídicos em pleno vigor. Então, o que fazer se um não revoga o outro?

Simples, simples, na minha cabeça louca. Numa eventual pergunta a gente se guia pelo enunciado da pergunta, pois ele deve conter o comando.

Só que na prova de ontem sem qualquer enunciado, isso mesmo, sem qualquer enunciado, eles colocam uma pergunta dessas. O que fazer? Responder pela CLT ou pela Súmula? Quem respondeu pela CLT pode acertar ou poder errar. Quem respondeu pela SÚMULA poder acertar ou pode errar. Ninguém sabe ainda o que o CESPE/UNB/OAB quer? Entendimento legal ou sumulado? Se esse país fosse sério ... fazerem uma coisa dessas afronta a dignidade do bacharel.


A prova foi pegadinha pura, texto de lei com uma palavrinha trocada lá no meio, ausência total de raciocínio jurídico. Um caos.


Eu leio esses blog nacionais que comentam sobre o Exame e o caos está instalado de norte a sul do pais. Na TV LFG assistimos, ontem, uma cena inédita, mas inédita mesmo, professores (que também são juízes) voltando ao ar para mudarem a resposta das perguntas, cujas respostas eles mesmos haviam dado em circuito nacional.

E quem comparar o gabarito de um curso e outro, fica espantado, como podem professores que formam alunos, pensaram tão diferentes, a ponto de um responder uma coisa e outro, outra. É só conferir os diferentes gabaritos.

Não é sério isso tudo.