O principal debate que pauta as análises políticas locais é focado na eleição proporcional. Todas as inquietações se voltam para a análise da candidatura local do ex-prefeito de Santiago, José Francisco Gorski. Não sem razão, dos desdobramentos da candidatura Chicão estão condicionados os desdobramentos da sucessão municipal, seja por um lado, seja por outro, seja pela eleição, seja para não eleição. Na eleição de 2006, o PP, legenda pela qual concorre José Francisco Gorski elegeu 9 deputados estaduais. Aliás, antes de aprofundarmos o assunto, convém observamos a atual composição do parlamento estadual gaúcho:
PT e PC do B – 11 deputados
PMDB – 9 deputados
PP – 9 deputados
PSDB/PPS – 9 deputados
PDT – 7 deputados
PTB – 5 deputados
DEM(ex-PFL) – 3 deputados
PSB – 2 deputados
Isto posto, existem indicativos muito claros acerca de uma mudança na composição do parlamento estadual. Embora seja difícil prever quem aumente e quem diminua suas bancadas, o certo é que o PT/PC do B deverá eleger 13 ou até 14 nomes; ademais, internamente, o PSB, que já tem 2 deputados e tem o vice de Tarso, planeja aumentar sua bancada de 2 para 3 deputados. Se o PT/PC do B realmente fizer 14, o certo é que o Partido aumentará 3 vagas; e essa somada a uma do PSB, significa – por baixo – 4 vagas a menos nas bancadas constituídas. Existem fortes especulações sobre as bancadas atuais. O DEM deverá fazer 2 e perder uma vaga. O PP deverá perder uma ou duas. O PSDB/PPS deverá também perder uma ou duas cadeiras. O PTB também é forte candidato a perder cadeiras, podendo perder uma ou duas. Ademais, existem especulações sobre a capacidade do PV e do PSOL fazerem bancadas, sendo que não é descartado um ou outro, ou até ambos, elegerem bancadas. Também, há quem sustente que o PC do B deverá eleger dois deputados estaduais.
Nesse quadro altamente favorável às esquerdas que se desenha, o certo é que PT, PSB, PC do B são fortes candidatos a aumentarem suas bancadas e isso indica, inexoravelmente, que as bancadas tradicionais encurtarão, restando saber quem serão os principais atingidos pelo desgaste de Yeda.
É nesse contexto, em face dessa conjuntura, que se especula que o Partido de Chicão deverá diminuir sua atual bancada de 9 deputados, podendo perder uma ou duas cadeiras.
Mesmo que o PP, na hipótese negativa, perca duas cadeiras, o certo é que ainda assim o Partido elegerá 7 deputados estaduais, podendo chegar a 8, na hipótese menos ruim. A nominata de candidatos a deputados estaduais que o PP apresenta é bem complicadinha, tem mais nomes fracos e desconhecidos que potenciais candidatos.
Ousaria separar a nominata pepista, a rigor, em 3 blocos, sempre reservando-me o direito de errar e – afinal – surpresas sempre acontecem e os riscos de analista político são enormes.
Existem 14 nomes de baixa densidade eleitoral, sendo que um ou dois desse grupo poderá surpreender.
Existe um grupo de 15 nomes de média e alta densidade eleitoral e esses são fortes candidatos a ocuparem as 7 ou 8 vagas do partido na composição do futuro parlamento. Dentre esses, cito, Adolfo Brito, Beto Moesch, Chicão, Ernani, Francisco Appio, Frederico Antunes, Lorentz, Mano Changes, Mario Nascimento, Mônica, Pedro Westphalen, Silvana Covatti, Valdir Andrés e Fixinha. É claro que desse grupo alguns poderão surpreender negativamente e ficar na faixa intermediária.
Vamos analisar cada um desses, resumidamente. Adolfo Brito fez 41.898 votos na última eleição e vai para mais uma reeleição, sendo que concorre pela quinta vez. Mesmo que tenha sido o menos votado da atual bancada, é bom lembrar que tem pique, vem de uma região com forte densidade eleitoral, é natural de Sobradinho e tem pegada.
Beto Moesch é – para mim – uma grande incógnita, vem de Porto Alegre, atua numa área minada pela esquerda, o movimento ambiental, mas é o quinto vereador mais votado dentro de Porto Alegre, tendo conseguido, em 2008, a importante cifra de 9.554 votos. Sua campanha, segundo relatos, é muito consistente tanto em Porto Alegre quanto na região metropolitana. Pode ser um candidato para 20 mil votos ou para estourar. É uma incógnita. Já Ernani, esse ninguém sabe ao certo será seu desempenho e existem interpretações muito divergentes a seu respeito. Pessoalmente, acho que a campanha dele é bem semeada, vem de uma região de alta densidade eleitoral e pode até surpreender.
Fixinha é sapateiro no Vale dos Sinos, obteve 53.654 votos na eleição de 2006, vai para a reeleição fortalecido e é forte candidato a uma vaga. Silvana Covatti estreou com significativos 65.347 votos e é uma candidata potencial a reeleição. Francisco Appio também é do time dos fortes, é deputado e vai à reeleição, tendo feito 49.584 votos na última eleição. Mano Changes vai à reeleição, elegeu-se com 42.671 votos e os relatos que chegam sobre ele é que foi um deputado exemplar e surpreendentemente bom; existe probabilidade de aumentar a votação. Pedro Westephalen elegeu-se com 44.079 votos e vai à reeleição. Creio que é o mais desgastado de todos, devido sua proximidade com Yeda, deverá perder votos. Pior que o candidato de Cruz Alta, só Frederico Antunes, esse fez 72.721 votos na última eleição. Tudo indica que perderá votos, embora não se saiba quantos, como tem alto capital eleitoral, mais votado da bancada do PP, mesmo que perca 20 ou 25 mil votos ainda assim é candidato a uma vaga.
Bem, resumidamente, o PP tem um grupo de candidatos experimentados, deputados e vereadores com mandatos e que vão a reeleição. É claro que desse grupo de nomes fortíssimos alguns podem cair, mas temos aí um grupo de 7 experimentados deputados que vão a reeleição, são eles, Adolfo Brito, Fixinha, Mano Changes, Frederico, Silvana Covatti, Appio e Pedro Westephalen. Como sempre acontece, dois ou três desses devem diminuir, errar a estratégia. Mas – de qualquer forma – esse grupo tem nomes que são potenciais candidatos.
O outro grupo intermediário de minha análise é o formado por Beto Moesch, Ernani Pólo e os candidatos que já concorreram e fizeram abaixo dos 40 mil votos. Esse grupo tanto pode sumir quanto aumentar sua votação. Leila Fetter, por exemplo, fez 38.070 votos, mas vem da região de Pelotas, tem o apoio do marido poderoso, assumiu como titular, embora fosse primeira suplente. Há quem sustente que ela amplie sua votação, até porque sua atuação foi marcada por embates bem pontuais com a desgastada Yeda; seu caso é o contrário de Pedro Westhepalen.
Temos ainda nessa faixa intermediária as candidaturas de dois suplentes. Valdir Andrés fez, em 2006, o total de 37.622 votos. Com relação à eleição de 2002, perdeu muito terreno. Disputa uma área minada com Adroaldo Loureiro dentro de Santo Ângelo e arde o desgaste da identidade com Yeda. Sua performance é mais incógnita do que certeza. Em situação semelhante, surge Lorentz, que fez 32.352, contudo, esse é o que mais os relatos apontam como a grande surpresa e a grande virada, pois sua campanha é gigantesca. Outro nome com relativa força e que anda pela região, embora divida o mesmo espaço com Valdir Andrés, é Mário Nascimento, que concorreu a deputado federal na última eleição e fez modestos 24.289 votos, não devendo se constituir surpresa.
Temos ainda o fator Mônica Leal. Também sobre ela os relatos são contraditórios. Concorreu ao senado em 2006 e fez 854.700 votos e isso a torna forte candidata. Porém, outros tantos sustentam que ela repete o caso Jair Soares e Fúlvio Petracco, pois quando concorreu a vereadora dentro de Porto Alegre, em 2004, fez 3.550 votos ficando de segunda suplente. Ela e Beto Moesch vão brigar dentro de um mesmo território. Mônica poderá ser uma surpresa positiva e ficar entre as mais votadas, como pode não chegar no mesmo nível desses nomes mais fortes como Silvana Covatti.
É nesse quadro que Chicão deverá projetar sua eleição e conduzir-se em meio a essa disputada. Analisei um a um dos demais nomes do PP e ouso dizer que nesse grupo dos 14 nomes que eu julgo mais fracos, Chicão não estará em nenhuma hipótese.
Por fim, existe um grupo de 15 nomes fortes, médios e médios com possibilidade de se constituírem em surpresa. Na minha análise, Chicão está nesse grupo dos 15 mais fortes de onde sairão os 8 ou 7 mais votados.
Muito real, muito real mesmo, muito pés no chão, Chicão tem chances reais de eleger-se. É claro que vai depender de quantos fizer dentro de Santiago e da votação que levantar na região. Algumas pessoas que conhecem bem a região, cito Jorge Machado como exemplo, garantem que Chicão passa fácil dos 50 mil votos, e aí, se for assim mesmo com dizem, estará eleito e ainda dentre os mais votados.
Vamos esperar a madrugada de 3 de outubro para 4. Aí saberemos tudo e não teremos mais dúvidas. Até lá.