Não temos estudos sobre as relações de poder dentro de Santiago. Nossa parca historiografia se limita a imprecisos relatos sobre nomes e datas, sem contextualizar a origem dos conflitos, jogos de interesses e contradições dentro das classes dominantes. É notório que sempre houve grandes choques de interesses em nosso processo histórico, alguns bem notórios no Estado Novo, no período liberal/democrático de 1946 a 1964, ocasião em que a oposição chegou ao poder com Rubem Lang, no período da ditadura militar de 1964 até a eleição de Collor em 1989.
E - é claro - no período pós-Collor esse confronto de interesses é mais notório e facilmente identificável a partir das forças em choque pelo controle de aparelhos da sociedade santiaguense, entre os quais, podemos destacar a cooperativa tritícola, o HCS, sindicatos, associações, prefeitura, câmara, uri, igrejas, órgãos de imprensa...De todos, a uri é o aparelho mais perverso e o que precisa ser analisado mais rapidamente.
Tudo em nossa política é baseado num forte empirismo; se não temos estudos historiográficos confiáveis, muito menos estudos sobre as relações de poder.
No jogo clássico entre oposição e situação, emerge uma patética constatação: a oposição vai sumindo a cada pleito, vai encolhendo, sendo reduzida a cada movimento novo das forças dominantes ligadas ao PP.
Se de um lado não temos um mapeamento dos aparelhos ideológicos em Santiago, de outro também não temos uma análise sobre como se comportam as forças capazes de influenciar os rumos da formação da opinião pública, embora saiba-se que é a imprensa local que mais atua nesse sentido. Essa atuação se expressa na força opinitiva dos jornais, em menor grau das rádios. O que acontece com as rádios é a pouca linha opinativa dos seus agentes e esse juízo não tem nada a ver com audiência. Nos últimos anos, um fato novo, em termos de imprensa, tem marcado profundamente a opinião pública devido ao peso da expressão opinitiva, tratam-se dos blogs.
De qualquer forma, é possível sintetizar que é da força dos jornais e blogs que emerge a fatia maior da formação de uma opinião pública abalizada. Concomitantemente, existe a força das opiniões pessoais dos agentes políticos, dos agentes educacionais, culturais, entre outros. É nesse imbróglio, que se gesta uma síntese.
O PP que hoje reina absoluto e hegemonicamente em Santiago, conta com o peso da opinião dos seus agentes e também com a complacência da imprensa. A recente eleição de CHICÃO, por exemplo, decorreu de um amplo pacto que forjou uma idéia de consenso e de unidade. Dentro desses dois polos formadores de opiniões, não houve uma só voz dissonante e mesmo as que, eventualmente, tenham chegado a se expressar, foram engolidas pela força neutralizante da imprensa local, especialmnte a blogueira e - em menor grau - pelos jornais. O que adianta uma pessoa "xis" dizer isso e aquilo se surge um órgão de imprensa com milheres de leitores semanais e diz algo bem diverso do que essa pessoa individualmente exprimiu? As opinões individuais, nesse contexto, tendem a serem engolidas.
CHICÃO jamais teria conseguido chegar onde chegou se não fosse o pacto e o consenso de imprensa em torno de seu nome.
Do digladiar das forças de oposições tradicionais, resta um consenso de que essas não existem mais. Nem para a edição do contraditório. E não que não se tenha tentado de tudo. Todas as fórmulas foram fracassadas, seja quando vieram por dentro, seja quando vieram por fora. De Burmann e Dionísio a Afonso Motta e Padilha.
A grande e única conclusão a que se pode chegar, gostem ou não, isso é uma constatação óbvia, é que o PP - até hoje - só não enfrentou a oposição da imprensa, nem dos jornais e nem dos blogs. É claro que o staff do poder tem uma leitura bem clara sobre a capacidade de fogo de cada um dos agentes da imprensa e leva tudo no maior controle e sem nenhum descuido, embora eu venha anunciando que está entrando areia a partir da uri.
O último capítulo da relação do poder com a imprensa ainda não foi escrito e duvido que o seja. Pelo menos, nessas circunstâncias atuais. A última briga armada da imprensa com o poder político municipal em nossa cidade deu-se pela ação do Jornal Expresso Ilustrado contra o ex-prefeito Vulmar Leite e o resultado todos sabem bem qual foi. É claro, àquela época, o Jornal reinava sozinho, não tinham outros órgãos e nem o fenômeno dos blogs. Hoje, uma briga isolada, seria muito difícil de ser exitosa.