sábado, 23 de outubro de 2010

Do fator MÔNICA LEAL e a ação política dentro de Santiago, da universidade ao PP

A recente eleição na universidade regional integrada, campus de Santiago, deixou um rescaldo político que marcará nossa história por muito tempo.

Dias atrás, em visita a minha casa, o amigo Guilherme Bonotto Behr, falava-me acerca da forma como as coisas foram explicitadas nesse processo eleitoral universitário, pois – segundo ele – em outros lugares não se vê essa relação tão estreita dos partidos políticos intervindo dentro da universidade. Ponderei ao Guilherme que isso sempre foi assim em todos os lugares, só que nosso estágio político é tão maduro que nem fingimos mais. Verdades ou não, intervenções partidárias ou não, o que emergiu foi um resultado apertado, porém, dentro do previsível e um conjunto de desdobramentos pós-eleitorais fantástico. Ademais, essa minha análise não se prende em nenhuma aspecto à pessoa de MÔNICA LEAL em si e sua candidatura, aliás MÔNICA é uma pessoa que admiro muito e torcia honestamente por sua eleição. Da mesma forma, torço muito pelo Rafael e nutro pela sua desenvoltura especial admiração, é um jovem talentoso, dinâmico e de grande futuro.

Voltamos, então, a eleição da uri.

O grupo do professor Chico era acusado, sistematicamente, de ter relações com a situação local, e o grupo da professora Aida era apoiado pela oposição, embora os vieses e embora o fingimento maior.

Terminado o processo eleitoral e vitorioso o grupo do professor Chico, a professora Aida e seu pessoal, embora derrotados, comemoravam uma certa vitória moral em face da vantagem dentre os estudantes. Ademais, a professora estava bastante fortalecida diante do espectro oposicionista da cidade, aliás, bem fortalecida.

Bem, a partir desse momento começava a ser escrito o capítulo mais controverso da relação da política universitária com a política partidária na cidade de Santiago. Foi exatamente nesse lapso de tempo que separa o fim da eleição na uri e o começo da corrida eleitoral que se dá a gestação de uma estratégia política que, ao final, apresentou-se como o maior erro de avaliação de todos os tempos, maior até que aquele dos distantes anos 70 quando a oposição local (já era burra naquela época) decidiu apoiar os cardinais (na arena 2) a pretexto de enfraqueceram a arena 1 (leia-se Valdir Amaral Pinto).

Os setores ligados às professoras Aida e Sandra, contrariando tudo o que diziam contra a política partidária, partem unidos para o apoio à candidatura de MÔNICA LEAL, então candidata a deputada estadual dentro do PP, mesmo partido de CHICÃO. A intenção, por mais que neguem, era claramente revanchista e visava dar o troco em CHICÃO, devido à sua intervenção na eleição da universidade. Foi um lance tão ousado quanto arriscado, pois se desse certo, consagrar-se-íam. Contudo, de cara, houve alguns impasses e controvérsias. Primeiro, todo o espectro oposicionista local, que morria de amores pela professora Aida, torce o nariz ao ver sua aproximação com o PP. A partir desse momento a professora Aida cava um abismo entre seu nome e a oposição de Santiago. Segundo, ao apoiar MÔNICA e ao integrar-se partidariamente em sua campanha, a professora Aida e seu grupo passaram a agir diversamente do que sempre sustentaram, pois condenavam a intervenção partidária, diziam-se contra partidos políticos e foram fazer exatamente tudo o que condenavam, integrando-se em comitês, agindo dentro de partidos e tudo mais. Deve ter sido um nó na cabeça de muitas pessoas. (Não que seja errado essa interação com os partidos, errado é um discurso que ora censura e que logo após nega o que diz).

Por outro lado, a adesão desse grupo da professora Aida à candidatura de MÔNICA LEAL, embora essa tese ainda não tenha sido levantada, acabou prejudicando barbaramente a candidata a deputada estadual pelo PP. Quem conhece os trâmites internos e as forças internas do PP sabe que antes dessa adesão de Aida, Sandra, líderes do PDT e outros agregados, MÔNICA tinha uma substancial base de apoio dentro do PP local, especialmente na ala feminina do Partido. Só que essa ala que estava com Mônica era uma ala partidária séria, histórica e de muito respeito. O que houve?

Ao verem a candidatura de MÔNICA passar para às mãos de pessoas que – em tese – sempre foram identificadas com a oposição local, de Aida Bochi a Paulo Nicola, esse grupo pepista sério, histórico e respeitado dentro do Partido, deu meia volta e abandonou à candidatura MÔNICA LEAL, que ficou apenas apresentada como a candidata do grupo de Aida Bochi, Sandra Nascimento e Paulo Nicola, de um lado, apresentados como oposição universitária e, de outro, fortes símbolos do espectro oposicionista, pois o empresário Paulo Nicola houvera sido um dos coordenadores da campanha de Mauro Burmann, candidato a prefeito derrotado por CHICÃO. Obviamente, a partir do ingresso desse respeitável empresário, mas símbolo ligado à oposição, a debandada do eleitorado pepista foi ainda maior e novamente MÔNICAL LEAL ficou exposta a um jogo local o qual ela, em sua pureza e bondade, sequer sabia compreender.

De uma expectativa inicial desse grupo pró-MÔNICA de fazer entre 3 mil e 5 mil votos, restou de concreto apenas 592 votos, derivando daí um resultado desastrado para o grupo que se expôs perante à sociedade santiaguense, não para MÔNICA. Ademais, tornou-se até vexaminoso para um grupo do tamanho com o que se formou, com tanta gente ilustre, gente riquíssima e abastada, o fato de o modestíssimo jovem Fábio Monteiro, sozinho com sua juventude socialista, ter feito 282 votos para seu candidato, o janguinho do PDT.

Assim, apurados os números, restou um verdadeiro escândalo, pois um gigantesco grupo não teve forças sequer chegar nos mil votos. Isso terá conseqüências fortes no futuro da política local. A oposição universitária que era forte, saiu-se aos frangalhos e não mais poderá vociferar contra a intervenção partidária, pois eles fizeram o que sempre condenaram, entrando não só em colisão discursiva, mas legitimando uma prática que diziam abominar. Por outro lado, a oposição que via nessas líderes e líderes universitários seus satélites, com essa aproximação desses e dessas com o PP, ficará sempre a desconfiança quanto aos seus reais propósitos.

Assim, foi escrito um controverso capítulo da política local, um capítulo cheio de vieses, nem sempre bem compreendido ou assimilado e que – agora – o blog traduz à luz do entendimento político, usando alguns instrumentais de análises, sobre o que foi, o que era e o que será. Concluindo, vê-se facilmente que não foi uma intervenção político/partidária honesta e alicerçada em teses e propostas, mas apenas um jogo revanchista, pois pretenderam dar um troco em CHICÃO e apenas usaram de forma desleal uma pessoa boa como a MÔNICA LEAL, a maior vítima desse tipo de prática política.