Essa notícia publicada no Jornal Folha de São Paulo, o rodeio das gordas, é uma das coisas mais insensatas que eu já vi nos últimos anos, afora o caso Tiririca. Um grupo de alunos da Universidade Estadual Paulista, uma das mais importantes do país, organizou uma "competição", batizada de "Rodeio das Gordas", cujo objetivo era agarrar suas colegas, de preferências as obesas, e tentar simular um rodeio, ficando o maior tempo possível sobre a presa. A agressão ocorreu no InterUnesp 2010, jogos universitários realizados em Araraquara, de 09 a 12 de outubro. Anunciado como o maior do país, o evento esportivo e cultural, que reuniu 15 mil universitários de 23 campi da Unesp, virou palco de agressão para alunas obesas. Roberto Negrini, estudante do campus de Assis, um dos organizadores do "rodeio das gordas" e criador da comunidade do Orkut sobre o tema, diz que a prática era "só uma brincadeira". Segundo ele, mais de 50 rapazes de diversos campi participavam. Conta que, primeiro, o jovem se aproximava da menina, jogando conversa fora --"onde você estuda?", entre outras perguntas típicas de paquera. Em seguida, começava a agressão. "O rodeio consistia em pegar as garotas mais gordas que circulavam nas festas e agarrá-las como fazem os peões nas arenas", relata Mayara Curcio, 20, aluna do quarto ano de psicologia, que participa do grupo de 60 estudantes que se mobilizaram contra o bullying.
A imprensa paulista tão áspera quando se trata de criticar comportamentos regionais que não se coadunam com os padrões dominantes do pais, nesse caso tem tido uma posição, no mínimo, omissa, pois estamos diante de um dos maiores absurdos discriminatórios de todos os tempo, que, na essência, agridem à dignidade da pessoa humana (princípio constitucional de nosso pais) e revela bem a extensão da mentalidade bovina que estão sendo gestadas nas universidades paulistas. E convenhamos, a UNESP não é qualquer universidade.
É claro que o fator Tiririca expôs para o pais que falta uma identidade para São Paulo; ante a ausência de tradições, importaram os rodeios countrys dos Estados Unidos (e existem vários estudos antropológicos que apontam o repúdio desse culto às tradições gaúchas, afinal era mais fácil incorporarem a tradição gaúcha do que importar tradições norteamericanas).
Mas, o que dizer dos nossos babacas aqui, que importam as tradições de lá? Será que não viram nesse rodeio das gordas um filão para abocanhar uns trocos a mais? Depois do rodeio country só falta importarmos o rodeio das gordas.