quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um terrível drama de consciência

Como todo ser humano, tenho minha história pessoal. Nessa, sempre fui um apaixonado por política, e isso desde muito jovem, talvez com 14 ou 15 anos - até onde tenho boas recordações - sempre vivi enfiado na política. Lutei pela abertura e principalmente por eleições diretas para presidente.

Pateticamente, eis que me descubro numa posição complexa nessa sucessão presidencial e pensando seriamente em anular meu voto (sempre defendi a não obrigatoriedade do voto). No Serra, eu não voto de jeito nenhum, isso eu jamais faria. Ele representa uma concepção de governo com a qual tenho profundas divergências.

Tinha uma decisão de votar na Dilma, mas depois, lendo, analisando, especialmente vendo as propostas do PT totalmente avessas à liberdade de imprensa e de expressão, vendo a própria Dilma (bota arrogância naquele corpo), vendo Lula vituperar contra a imprensa, propondo controle social sobre a mídia, vendo essas alianças nojentas e pragmáticas do PT com as piores oligarquias regionais desse país (Sarney, Collor...), SINCERAMENTE, sinceramente, do fundo da minha alma, acho que vou anular meu voto.

Eu já não votei em TARSO GENRO porque entendo que ele é um ditador, um inimigo da liberdade de imprensa e de expressão, um sofista que tem um discurso libertário e uma prática que não condiz com o discurso, até onde puder vai implantar um Estado policialesco no Rio Grande do Sul, viveremos períodos de grandes perseguições, embora até acredite que ele e os seus vão disfarçar um pouco, num primeiro momento. Mas não tenho a menor dúvida que a vigilância em cima das liberdades individuais estarão em alta no seu governo, bisbilhotices e espionagens com uso maciço das estruturas de seguranças do Estado, especialmente com o aparelhamento da inteligência da polícia civil e da PM 2. Não quis externar esse posicionamento antes da eleição por obviedades éticas. Mas o externo agora porque não escondo o que penso.

Eu gosto de muitas coisas no PT, especialmente essas linhas de programas sociais; fecho com quase tudo no PT com relação à educação, à habitação, linhas de investimentos na pequena e média propriedade familiar...Outro dia, um amigo petista, de POA, me disse que as propostas supostamente cerceadoras da liberdade de imprensa era para os grandes, alusão ao fato que um pequeno jornalista provinciano, como eu, não deveria se preocupar com o tal controle social sobre a mídia. Mas eu me preocupo, a mesma lei que usam contra o dono da Folha de São Paulo um promotor autoritário, inimigo da liberdade de expressão, usa contra mim.

Como levo a política muito a sério, meu momento é ruim, delicado e de desconforto, pois não gostaria de anular meu voto, mas tudo se encaminha para isso, derivando daí um terrível drama de consciência.