segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As vozes de comando que não mais comandam: o povo de Santiago na eleição presidencial

Um debate necessário dentro de Santiago, depois da vitória de Dilma, é sobre o elenco das razões dessa vitória e às razões da derrota.

Obviamente, comecemos pelos nossos políticos. Bianchini foi o grande vitorioso, embora tenha ficado a maior parte do tempo inseguro com medo de Heinze, vacilante, acabou dando a cara a tapa, quando Dilma começou reagir nas pesquisas e enfrentou quase todo o conjunto da política santiaguense que, unanimemente, estava fechado com Serra. Não fosse sua tradicional vacilação, teria se saído mais fortalecido. Os petistas locais, a rigor, sempre fizeram seu papel, mas, convenhamos, é um papel de influência limitada. Quem mais se expôs na defesa radical e intransigente de Serra, aliás, o maior derrotado, foi o deputado Heinze, que não conseguiu influenciar às suas bases eleitorais – os próprios números falam por si só. Chicão foi mais hábil, não se meteu e não se queimou, a exemplo de Ruivo. Agora, o resto, quer dizer, o todo, o todo que estavam todos com Serra, foram todos vergonhosamente derrotados, do PMDB, PSDB, PP, PTB, PPS, setores amplos do PDT.

O PMDB local só se afunda mais, acabou tomando o mesmo rumo do PSDB e PP, confundindo seus filiados e simpatizantes e indo para a mesma cova, num gesto supremo de burrice política, pois o partido tem o vice-presidente da república e provavelmente 3 ou 4 ministérios. E o PP gaúcho, que ficou pendurado em Serra, mesmo a despeito de 22 dos 27 diretórios estaduais estarem com DILMA, também ficou solenemente isolado e incorreu no mesmo erro de análise.

Antes de adentrarmos na análise pormenorizada de outros setores que influenciam a opinião pública de Santiago, é salutar observar que a defesa de Serra contava com a unanimidade de quase 94% ou 95% das lideranças políticas, empresariais, universitárias, de imprensa, religiosas e ruralistas. Logo, ao ensejo da leitura dos números, constataremos que estamos diante de um espetacular fenômeno, que destoa até da linha adotada pelo Estado, e convenhamos, um fenômeno à esquerda, dentro de Santiago.

O que houve, então, que nossas lideranças enveredaram todos para um lado e nosso povo enveredou para outro, sem seguir as vozes das lideranças?

Primeira constatação óbvia: o povo de Santiago não mais segue orientação de suas lideranças. Isto posto, cabem – ainda – outras análises.

As religiões em Santiago.

Comecemos por elas. Ora, eu nunca vi um pastor ou um líder evangélico, um que fosse, defendendo DILMA. Pelo contrário, líderes católicos e evangélicos estavam todos com Serra e foram todos derrotados, do Malafaia ao PAPA. Então, o que houve? Ou o povo não é mais bobo ou as lideranças religiosas de Santiago foram todas derrotadas e deveriam extrair uma lição e não mais se meterem com calúnias e difamações como as que faziam contra a agora Presidenta eleita do Brasil, afinal a Bíblia Sagrada, em 1 Tim. 2:2, é muito clara e manda orarmos pelas nossas autoridades.

Os grandes e médios fazendeiros de Santiago, estavam com quem? Todos com Serra, exceto um dele, Ruy Gessinger, cuja análise vou fazer separada.

Os grandes líderes universitários, ligados a URI, estavam com quem? Todos com Serra, não conheço exceções, embora professores individualmente estivessem com Dilma, mas poucos.

 (Tarso Genro vai acabar com os COREDES e criará os CCP, com a volta do velho OP, Orçamento Participativo e uma nova fórmula de consultas populares).

A imprensa, jornais, blogs, rádios, estavam com quem? Ora, eram os mais assanhados em defesa de Serra, foram todos derrotados juntos, a exceção do blog de Ruy Gessinger, de Eliziane Mello, Sérgio Bueno e desse blogueiro, todos os demais era serristas submarinos ou assumidos como Leonardo Rosado e Rafael Nemitz, que se uniram na defesa radical de Serra. Até nossos intelectualóides que andaram abrindo o voto para Serra, nas asas da blogsfera, se deram mal.

Meu artigo FANTAMAGÓRICOS POLÍTICOS E NOJO DA IGNORÂNCIA, publicado dia 27 de outubro, quarta-feira, teve 1.142 acessos somente nesse dia. Não tem como negar que isso cria um contraponto muito forte a mentira que atribuiam ao passado guerrilheiro de DILMA.

Eu conheço muito bem a classe média de Santiago e sei que ela é essencialmente bajuladora das nossas classes A e B (para os nossos padrões). Estavam quase todos com Serra, quase todos. Agora, eu notava o quanto às classes D e E locais estavam com Dilma. Essas classes, desde que eu comecei a estratificar a cidade, sempre foram decisivas em qualquer pleito.

As classes D e E de Santiago romperam com a voz de comando das elites.

Outro dia, ouvindo o Pedro Peruffo, coordenador-chefe do IBGE local, notei o quanto ele estava impressionado com a declaração de voto de Ruy Gessinger. Convenhamos, uma declaração que destoa e dá nós nas cabeças da suposta elite, por que ninguém mais elite do que ele: desembargador aposentado, dono de um dos escritórios de advocacia mais conceituados do Estado e do pais, dono de uma cabanha cuja genética ponteia o Estado pela qualidade e abocanhamento de prêmios, dono de 3 mil hactares de terra e – acreditem – eleitor de DILMA. É claro que isso dá um nó nas cabeças de quem se acha de elite (só se acham) e aqui em Santiago têm muitos que se acham, em Porto Alegre não passam de classe C. Com seu blog e seu artigo no canhão JORNAL EXPRESSO ILUSTRADO, com certeza, armou uma baita confusão em muitas cabeças, pois quem se acha rico aqui para os nossos padrões e estava com Serra, pois imaginavam que só os "bolsas famílias", MSTs e coitados estavam com Dilma, essa posição aberta e explícita do Ruy deve ter se prestado para muitos questionamentos, no mínimo.

Eu não gosto de falar em mim, mas – modéstia a parte – as grandes defesas de Dilma, especialmente contra as mentiras e aleivosias relacionadas com a ditadura e torturas, partiram desse blog aqui, gostem ou não, é o grande canhão de blogsfera. Estou falando isso porque senti o peso de interferência no debate. Também, é justo lembrar que a grande defesa de Dilma nesse debate cínico do aborto, partiu da Lizi e seu Ecolizi e claro que teve repercussão, afinal, mãe, jovem e contra o aborto, ela teve postura e coragem para assumir a defesa de Dilma em nosso meio.

Bem, dessa eleição é necessária uma reflexão para as elites locais e para os políticos, hein, a luz amarela está acesa e só não vê quem não quer, é o primeiro passo para a vermelha acender.

Por fim, essa eleição presidencial deixou claro, a partir dos alinhamentos político-municipais, que tanto a oposição local (a exceção do PT) quanto a situação, são essencialmente reacionários e comungam dos mesmos pensamentos macros e ideais.