Recebi diversos e-mails desde a ocasião em que escrevi aquela matéria sobre o PP santiaguense. Geralmente, não os publico. Aliás, raramente, publico algum e-mail que recebo. Tenho aquele grupo de amigos que sempre comentam, brincam, trocam impressões e tenho um grupo de desconhecidos. Muitas vezes, sequer abro os e-mails recebo.
Mas fiquei vivamente impressionado com um, em especial, que recebi do senhor R. Beltrão, pessoa a quem não conheço - mas respeitoso e duro ao mesmo tempo.
Passo a responder algumas questões:
"Por que tu não tá no PP"?
Muito simples essa questão. O fato de eu dizer que admiro o PP, que gosto da forma como o PP local faz politica e administra a cidade, é uma coisa. Outra coisa, é eu saber quem sou eu, meus limites, minha origem e minha intervenção política dentro de Santiago.
Começa que sou derivado do campo de esquerda. Sou um dos poucos santiaguenses que usam o marxismo como instrumental cru de aplicação prática na realidade. Meu arsenal teórico de formação passa pelo marxismo em quase sua totalidade, eu próprio admito uma grande contradição em minha vida, pois embora saiba entender e até aplicar o marxismo do ponto de vista teórico, não suporto os autoritarismos de certos setores marxistas, razão pela qual acabei inclinando-me até para o anarquismo. É e não é uma contradição, mas trato como se fosse, enquanto já tive vida partidária orgânica e hoje vivo apenas envolto da Lizi e da Nina. Seria eu apenas um marxista anarquista desarmado.
A ditadura militar é uma barreira pela qual nunca consegui passar, razão pela qual a origem do PP seria sempre um grande óbice em minha consciência. Embora eu não seja livre totalmente, porque sou pobre e limitado pelas circustâncias materiais, no plano espiritural (na acepção hegeliana da expressão), sou totalmente livre e vivo em absoluto compasso comigo mesmo.
Logo, caro R.Beltrão, eu nunca teria clima, numa teria ambiente, tranquilidade emocional e nem sossego ideológico/espiritual dentro do PP. Da mesma forma, eu me torturaria muito, dentro do PSDB com sua linha de intervenção política neoliberal. Meu perfil é PSOL, PCO e PSTU, por aí eu me acharia.
Agora, o PP local - ao meu ver - faz muito bem para Santiago, são pessoas que eu respeito muito, são honestas, fazem um trabalho limpo, e, acredite, as pessoas que eu mais gosto, que são as melhores pessoas para mim e para minha família, estão dentro do PP. No PP, encontrei amigos que nunca tive sequer em ambiente familiar. E te asseguro, caro R.Beltrão, que se eu visse sujeira, corrupção, malandragrens e malversações dentro do PP, seria o primeiro a denunciar.
Minha experiência com a oposição no poder foi horrível. Quiseram me tutelar, quiseram me dizer o que eu devia fazer, o que eu devia escrever, inclusive, me processaram. Levo ao extremo a máxima: quem quer que tente botar suas mãos sobre mim, será considerado meu inimigo. Por ser um homem livre, não admito tutelas. O dia que o PP quiser intervir no meu trabalho, no meu pensamento, no que eu escrevo ou deixo de escrever, ou deixarem de cumprir os acordos que fizerem comigo, abro uma guerra contra eles, como fiz contra o VULMAR. Luta de classes, você sabe o que isso?
Eu sou em empresário, embora falido, mas sou. O PP respeita isso, a oposição nunca respeitou. Logo, meu dever cidadão - enquanto eu estiver aqui em Santiago - é zelar pela cidadania e ser vigilante. Como marxista, adoto o socialismo como princípio diante da vida e quero morrer sendo assim como sou, vivendo harmoniosamente comigo mesmo, a despeito de reconhecer que a pobreza material acaba sacrificando as pessoas que estão ao meu redor. Contudo, minha paz é absoluta e suprema em minha consciência. Um dos motivos de eu ter deixado o PT local foram divergências cruéis, desde a minha negativa de abrir guerra contra quem não se encaixa bem na alça de mira socialista, o PP, até o entendimento diverso que tive de como são certas vidas pessoais, falando uma coisa e fazendo outra.
Logo, por ser marxista, por ter uma origem no campo da oposição local (a quem me julgo ligado espiritualmente) eu não estou e nunca estarei no PP. Também não me junto com a oposição local porque ela é burra, sistematicamente burra, incrivelmente burra. (Pode até ser que um dia mudem. O primeiro passo da mudança deveria ser comigo).
Talvez você, caro R.Beltrão, não acredite, mas essa hora da tarde mais de mil pessoas já leram meu blog e eu tenho - por trás de mim - uma instituição muito maior do que as pessoas comuns conseguem imaginar: eu tenho o arsenal teórico, levo a teoria a sério e sou um pesquisador social e politico, embora isolado e marginal, cultivei e mantive acesa a maior base teórica marxista de Santiago, inclusive com biblioteca própria. Eu sei que isso pode até parecer arrogância, mas é apenas a realidade de uma vida, ninguém precisa concordar comigo, nem peço que concordem, até gosto que discordem. O que eu escrevo, não é produto do acaso, não são elucubrações desconexas e hobbystas, quando eu lanço um conceito num texto, existe muita base teórica e muito entendimento por trás. Ademais, eu acumulei e sintetizo saberes que a universidade sequer conhece, são saberes de uma vivência dentro de organizações comunistas que vêm dos tempos da ditadura militar. Se nossas elites não fossem burras elas deveriam aproveitar tudo o que eu tenho, às mãos, totalmente disponivel, em termos de sociologia, filosofia, ciência política, história, antropologia, economia, mas o que fazer? Vivo quieto, inquieto, mas - agora - com alguma razão, com a Nina, com a Lizi e com o Totó.
Escrito direto e sem revisão.