quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O PP de SANTIAGO

Lendo o post do respeitável Jornalista João Lemes, nessa noite, ocasião em que ele cita que Bianchini não aceitou cabrestos, ocorreu-me de reparar uma grande injustiça que fazem contra o PP local.


Não é de hoje que analiso e escrevo sobre o PP santiaguense; um dos únicos partidos desse Estado cuja representação municipal é disparadamente a melhor. O PP santiaguense, na expressão de suas lideranças, pauta-se por um profundo respeito ao pensamento alheio, sabem aceitar as divergências como parte do processo democrático, não são cerceadores da liberdade de imprensa e de expressão, são altamente tolerantes e maleáveis. Talvez, repousados nesses valores, resida seu grande e reiterado sucesso.

Nunca vi ninguém dentro do PP tentar botar cabresto em quem quer que seja, muito antes pelo contrário, sempre vejo o mesmo filme de pessoas - individualmente - tentando colocar cabresto no partido, num caso típico de inversão de valores, pois ao invés de tentarem se submeter ao coletivo, essas pessoas de índole autoritária e vocação ditatorial, tentam impor suas vontades individuais sobre o coletivo, como se todos tivessem que ficar reféns da vontade individual de pessoas.

Para mim não existe melhor partido nesse Brasil que o PP de Santiago, tal é sua base, seu lastro, sua história e o conjunto de suas relações intra e interpessoais. Admiro o PP enquanto partido, suas contradições, suas reflexões internas, seu grau de abertura, sua maleabilidade, sua noção de proteção mútua entre os membros (coisa que não se vê noutras agremiações).

A sintonia no PP é tão grande que até a derrota os une, foi o caso em passado recente quando VULMAR LEITE derrotou CARDINAL. Foram derrotados, mas ninguém capitulou, uniram-se na dificuldade, criaram uma barreira de unidade interna e foram para o pau de novo. Como assimilaram bem a lição, fazem o possível e o impossível para não errarem. A responsabilidade de seus membros e a consciência do papel histórico que desenvolvem é muito grande, sou testemunha disso.

É claro, nem precisa virem, sei bem que os partidos são nacionais, têm suas raízes (até já escrevi um livro sobre isso), mas sempre que me volto ao localismo, faço esse corte e tento descontextualizar o local do regional e analisá-lo em sua singularidade apartada do todo.

Eu diria até que o PP local é uma síntese de um conjunto de valores. É um todo monolítico, alicerçado numa unidade de ideais locais e a partir daí é que se fazem os ajustes.

O PP é – hoje – altamente contraditório, mas essa eleição mostrou o fôlego do partido, que, com 41 deputados federais, ficou com a quarta maior bancada da câmara federal, perdendo o ranking de terceiro maior partido do Brasil para o DEM por apenas 2 cadeiras, eis que os DEMOs ficaram com 43 cadeiras. E na composição do SENADO, com 5 senadores, ficou na frente do PDT e do PSB, por exemplo. É claro, a exemplo de todos os partidos nacionais, vive esses imbróglios de ser e não ser governo, tendo um ala pró-poder central e outra contra. Mas isso é outro assunto.

O PP ainda poderá vir a ser um grande partido nacional de direita, que é o que falta em nosso espectro político. Por enquanto, não houve uma sistematização nesse sentido e nem existem bases teóricas com lastro para essa fundamentação, mas que é do seu núcleo que pode emergir essa veia, isso eu não tenho a menor dúvida.