A política educacional do governo federal, especialmente no governo Lula, foi pautada por uma concepção política de investimentos de recursos públicos no setor. Isso explica a implantação de diversas universidades e campi espalhados por esse Rio Grande afora. Aqui em Santiago, por exemplo, estamos cercados pela UNIPAMPA, uma Universidade Federal pública e gratuita, de São Borja, Itaqui, Uruguaiana, Alegrete, Rosário, São Gabriel, Bagé, Caçapava, Dom Pedrito, Santana do Livramento e Jaguarão. Afora a UNIPAMPA, foi criado a partir de ERECHIM, a Universidade Federal da Fronteira Sul e agora – mais recentemente – vem aí a UNILA, Universidade da Integração Latinoamericana. Todas, em fase de expansão.
Afora esse investimento, surgem os Institutos Técnicos Federais, muitos deles oferecendo também cursos superiores em diversas áreas. Ao nosso lado temos o IFET aqui em Chapadão, São Vicente e São Borja...fato por demais conhecido de todos nós. Aliás, essa outra modalidade de ensino superior federal e gratuito é apenas um argumento para ilustrar nossa breve análise.
A URI-Campus de Santiago foi gestada num momento político em que investimentos em ensino particular estavam em alta e aí concepção associa-se – evidentemente – a uma visão programática para a educação, Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso representavam bem essa visão. Hoje, transcorridos os 8 anos do governo federal do PT e – agora – com a eleição de DILMA ROUSSEFF, uma coisa é certíssima: essa linha de investimentos públicos em educação vai ser acentuada, muito mais do que já era, pois DILMA nunca se cansou de anunciar mais IFETs e mais recursos nas universidades públicas.
Pari passu, existe um fato novo que poucos estão raciocinando em cima. Trata-se da UERGS, a universidade pública do Rio Grande do Sul, criada no governo Olívio Dutra (aliás, com campus em São Borja e São Luiz Gonzaga), praticamente sucateada por Britto, Rigotto e Yeda, mas que voltará à tona e será a menina dos olhos de Tarso. A UERGS vai ressurgir com muita força e muitos investimentos; somar-se-á a esses novos investimentos (UNIPAMPA, UNILA, UFFS, IFETs) do governo federal, gerando uma espetacular explosão de ofertas de vagas públicas na rede superior de ensino nunca até então vista em nossa história recente.
A principal conseqüência dessa concepção política dos governos federal e estadual do PT para o ensino superior é o esvaziamento das tradicionais universidades particulares, que – ante a impossibilidade de concorrência com o setor público – tenderão a experimentar períodos desgastantes.
É nesse contexto que será preciso fazer uma leitura da URI, especialmente a partir aqui de Santiago. Infelizmente, não existe um staff em nossa universidade que pense essas questões, ao invés do entrosamento com o setor público, ao adotarem posturas reacionárias e direitistas, cada vez mais se afastam da concepção dominante no país e no Estado. Embora se diga que a URI é comunitária, ela não se subordina à comunidade, pelo contrário, a comunidade é que se subordina a ela, pois é notável o controle familiar sobre a educação em Santiago.
A URI precisaria se abrir, especialmente ideologicamente, como fez a UNIJUÍ e a UPF, mas – ao contrário – ela se fechou mais em si mesma. Eu não me canso de contar o exemplo de um amigo meu, alto dirigente do MEC, que sempre me dizia que eles, lá em Brasília, viam a URI/Santiago como uma universidade familiar, cabide de empregos de famílias e tudo mais. A grande questão que se coloca agora é a seguinte: com CHICO GORSKI no poder, mudou alguma coisa?
Com esse artigo, estou abrindo uma série de outros, pois pretendo aprofundar o debate com meus 6 mil leitores semanais. Quero debater o futuro da URI no contexto macro da educação superior do país, quero abrir um debate sobre qualidade do ensino superior, formação ou não de uma consciência crítica na cidade que justifique a razão de ser da universidade, quero abrir um debate acerca da sobreposição de interesses e o neopatrimonialismo local.
O país mudou, existem novas premissas colocadas em pauta, o Estado do Rio Grande do Sul também vai enveredar pela mesma senda do governo federal e – em Santiago – os cegos não viram que serão engolidos se não reverem diretrizes e concepções.
Volto ao assunto.
(Falando em URI, houve um pedido de demissão recentemente, cuja demissionária, após 14 anos na universidade, chutou o pau da barraca e existe muita inquietação nos bastidores).
O incêndio político que tomou conta de Santiago nas últimas horas (e dias) não é minha responsabilidade.
O incêndio político que tomou conta de Santiago nas últimas horas (e dias) não é minha responsabilidade.