Essa segunda-feira foi um dia muito triste em minha vida. Certos desdobramentos das questões de nossa polis me deixaram profundamente machucado.
Há pouco vi que 1.271 pessoas tinham acessado meu blog nessa segunda-feira e isso aumenta minha responsabilidade. Penso cada frase que vou dizer, meço bem as palavras, não gosto de ferir ninguém. Tudo o que eu queria nesse momento de minha vida era viver em paz, criar minha filhinha em meio ao amor, a integração e ao carinho.
Muitas vezes em minha vida fui chamado ao confronto e ao conflito. Mas, pessoalmente, não busco confrontos. As pessoas que convivem bem comigo sabem o quanto sou maleável, o quanto gosto de pegar uma causa e inserir-me nela, participar, construir, edificar, somar...crescer junto.
Não gosto do enfrentamento.
Existem pessoas e famílias em Santiago que se acham espertas demais, estão se achando malandros demais, esquecendo-se de que onde chegaram, o chegaram por mérito de um consenso social, e não por fruto puro e simples de méritos pessoais e vontades individuais. As vontades pessoais e os méritos individuais por si só não se transformam em sonhos coletivos, onde todos se permitem sonhar juntos, cada um dando sua participação. Infelizmente, hoje estamos cercados de feudos controlados por grupos familiares. Esses e essas usufruem elevado padrão de vida para si e para os seus, a despeito da profunda desigualdade que são jogados outros membros da comunidade que vivem no mesmo espaço físico. O que é pior, esse neopatrimonialismo é apropriado em gerado em nome da comunidade, pobre comunidade, que jogo que só joga recursos nos bolsos das famílias que a tudo controlam e tudo querem controlar.
Eu sei ler esse imbróglio formado pela conjunção de interesses e seus vieses, sejam diretos ou indiretos.
Eu sou um cidadão, nasci em Santiago, minha família é santiaguense, minha filha é santiaguense, tenho consciência do meu papel perante a sociedade, tenho consciência quando vejo as coisas apodrecendo.
Algumas vezes em minha vida, em momentos derradeiros, fui chamado ao confronto.
Não gostaria de mudar os rumos de minha vida de forma radical. Mas fui chamado ao confronto e quando isso acontece, não fujo. Até hoje, desde que voltei a minha cidade, apenas brinquei com alguns desafetos, mas nunca mostrei o que eu sou capaz de fazer para levar uma busca pela Verdade às últimas conseqüências.
Estava envolvido numa teia, num emaranhado, pessoas que não deixavam as coisas claras, e no meio disso tudo descobri coisas profundamente desagradáveis. Fiquei triste, não era isso que eu desejava, queria uma vida normal, ser parte e participante, somar, ajudar e fazer nossa cidade melhor e com mais brilho.
É patético ter que escrever tudo isso, é um desrespeito com os leitores. Mas muitas coisas em Santiago precisam ser passadas a limpo. Eu não sou um Messias, não sou um super-homem, sou apenas um homem normal, mediano, político, tenho um instrumento ao meu alcance que é escrita e meus leitores; e será usando a escrita que passarei a desenvolver raciocínios com as pessoas que interagem comigo. Talvez ninguém me entenda, talvez as pessoas entendam o que estou querendo dizer, veremos, será um desafio em nome da cidadania.
Eu sou um elo dentro do consenso da sociedade santiaguense. Muita gente não acredita e outros tantos subestimam. Mas no momento em que esse elo for quebrado, o consenso que eu mesmo ajudei a criar, ficará maculado e tudo entrará para o campo da imprevisibilidade.