Dias atrás, fiquei até alta madrugada tentando entender os níveis de consciência de uma bebezinha; nunca pensei que voltaria a Piaget; não tenho bem claro e duvido que alguém tenha uma fórmula pronta sobre a criação ideal para ser dada aos filhos. E assim vou levando a vida ao sabor do empirismo, sem ter certeza de nada, como sempre (exceto raras exceções???)
As voltas da vida apresentarem-me uma missão um tanto singular, afinal - de repente - sou responsável por gerir os destinos de uma vidinha desde os seus primeiros passos. Logo no início, tivemos uma divergência. Eu achava melhor conduzir a Nina longe das religiões, porém, ensinando-a o caminho da justiça. A Lizi, obstou e não abriu mão da religião. De qualquer forma, uma coisa tenho madura dentro de mim: a melhor coisa para a liberdade de uma criança é a ser avesso a superstições, pois daí deriva-se a tolice e um arcabouço infinito de bobagens e crenças.
Por enquanto, apenas sei que o caminho é dar amor, afeto e carinho para a Nina. Tanto quanto possível, evito qualquer repressão, aposto sempre no afeto, no carinho, na atenção e na transcendência afetiva.
Na busca dos níveis de consciência, tento entender o que ela já sabe e o que ela não assimila. Por hora está sendo tudo fácil, existe uma endoculturação muito forte, uma linguagem não revelada que se expressa nos gestos, nos traços do semblante, afinal assim é a reação doce ao sorriso e a interação pelo afeto mútuo.
Creio que tanto eu quanto a Lizi conjugamos da mesma idéia, somos doces e meigos o tempo todo, nunca demonstramos dores, angústias e nem mágoas na frente da Nina. Fazemos prevalecer sempre a magia da docilidade, especialmente nessa fase inicial de construção das bases edificativas da vidinha da Nina. O sorriso ao acordar, o sorriso ao dormir, o sorriso na dor, o carinho no rosto e no cabelinho
sempre.
Nossa parte não é apenas a matéria, elegemos como nossa parte, a matéria e o espírito, cientes de que a matéria é relativa e o espírito do amor, do carinho e do afeto...é absoluto, ou quase absoluto, nesse fase que estamos trilhando.
Assim vamos indo, juntando as bases, construindo, argumentando, lendo, buscando interações e tentando descobrir os caminhos pelos quais todos os pais passam um dia.
