domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os desdobramentos da sucessão municipal

É impossível refletir sobre os desdobramentos da sucessão municipal sem discutir os rumos da oposição santiaguense.


Ontem, em artigo acerca dos eventuais elementos que poderão incidir no debate municipal, levantei as bases reflexivas da subjetividade derivada dos movimentos mudancistas que sacodem o “mundo árabe” e lembrei o peso da influência mudancista presente no pleito de 1992, ocasião em houve a desagregação do leste europeu, a queda do socialismo real e de ditaduras de esquerdas. Essas, inconscientemente, acabam ajudando no clima de mudança no espectro local, somado à insatisfação jovem que eclodia no plano nacional.

Pela quantidade de telefones e e-mails que recebi, percebi que houve alguma incompreensão; primeiro, observei claramente que o clima mudancista vem na esteira de processos irracionais e quando isso ocorre à razão política resvala para o terreno da imprevisibilidade; segundo, existe um outro elemento que pouco explorei: a fragilidade da oposição local e os reflexos de seu conhecido insucesso repetido a cada pleito.

O maior exemplo dessa incapacidade de crescimento é que Vulmar Leite, em 1992, obteve 15.718 e no recente pleito de 2008 sua votação foi reduzida a 7.516 votos. Estamos há poucos meses da convenção de 2012 para escolha dos candidatos a prefeito e até agora não sabemos nada do conjunto das oposições, exceto as manifestações pessoais do Vereador Diniz Cogo, que tem assumido a disposição de concorrer. Entretanto, Diniz representa apenas o PMDB e nada se sabe do PSDB, do PDT e PT. Quaisquer que sejam os nomes que emerjam desse processo tardio, será sempre muito tarde para eventual preparação de terreno.

Afora esses erros de estratégias, taticamente não se vê contrapontos e nem ações pontuais, tipo formação de militância, ocupações de espaços na sociedade civil e nem preparação de quadros de vanguarda. Enquanto isso, o PP dá as cartas sozinho, reinando absoluto.

A principal conseqüência dessa situação é que tudo se encaminha para uma eleição – em tese – fácil e administrável para o partido que detém o poder municipal.

A rigor, o único fato novo que surgiu no horizonte, embora eivado de subjetividade, é realmente o clima mudancista que se forma em torno da conjuntura mundial. Os novos mecanismos de comunicação, especialmente ás redes sociais na internet que têm gerado mobilização dos jovens, principalmente, não é explorada pela oposição, que nunca investiu nesse tipo de arma política, a qual – aliás – trata com um certo desdém.

Dias atrás, jantando com meu amigo e prefeiturável Diniz Cogo, pessoa por quem tenho grande estima, disse-lhe que faltava a oposição uma política de ocupação de espaços, formulação de teorias e disputa de espaços nos órgãos da sociedade civil. Também contei a Diniz um processo que assisti, acompanhei e participei, de 1980/81, que foi o trabalho de nucleação nos bairros liderado pelo advogado Milton Garcia Dutra e algumas lideranças do PDT. Aliás, um trabalho sério, coerente e que rendeu frutos concretos.

Embora toda a oposição saiba que é só com esse trabalho político que se poderia partir para um embate em melhores condições de igualdade com o PP, passaram-se os dois primeiros ano do governo Ruivo e nenhum contraponto foi firmado; e nessas alturas nem existe mais tempo para tal concepção e formulação.

Pessoalmente, acredito que o PP, depois do sucesso estrondoso da vitória de Chicão, agora em 2010, marcha para uma eleição de forma muito tranqüila, sendo que estou convencido que Júlio Ruivo – inclusive – ampliará sua votação.

O grande debate paralelo que vai acontecer será quanto a composição do parlamento municipal, pois ao invés dos 10 atuais vereadores, teremos 13.

Friso que não acredito na política estanque, todos os quadros são suscetíveis de mudança; existem fatos que podem acontecer no curso de uma eleição que podem até mudar rumos, inverter tendências, romper favoritismos...

Entretanto, o que vejo hoje é isso. São apenas minhas impressões e os registros que faço se dão a partir da leitura social que faço das forças políticas em movimento na sociedade santiaguense.