
Quando eu li a matéria publicada em Zero Hora, sábado passado, sobre a eleição em Unistalda na hora pensei em escrever uma crítica bem formulada. Desisti de idéia, entretanto, quando vi a postagem do jovem jornalista Leonardo Rosado, que percebeu muito bem a manipulação.
Ora, ora, Zero Hora é um jornal que pressupomos ser sério. Mas não, tomando os leitores por bobos, palhaços, ou sei lá o que, ouve uma pessoa na rua (se é que ouviu mesmo) e essa se diz contra a eleição e logo a vontade dessa pessoa pauta a cabeça da jornalista que induz – jornalisticamente – todos a pensarem que a população unistaldense é contra a eleição suplementar.
Esse tipo de jornalismo apenas joga no descrédito o jornal do Grupo RBS. As pessoas não são bobas e sabem discernir uma coisa de outra.
Uma afirmativa dessa natureza, como a que foi feita, só poderia sê-la, no mínimo, se precedida de uma pesquisa de opinião pública. E nem estou falando de enquete.
Agora, se o CEPA/UFRGS, por exemplo, tivesses auscultado a população e essa tivesse se manifestado majoritariamente contra a eleição suplementar, aí sim o jornal poderia falar em nome da população de Unistalda, em sua expressão majoritária de vontade. O que não pra fazer, pois revela-se um lixo de jornalismo e toma todos nós por otários, é ouvir uma ou duas pessoas e sintetizar a vontade de uma sociedade na expressão dessas pessoas ouvidas.
É claro que os supostos inteligentezinhos do jornal Zero Hora, que se acham, subestimam a capacidade de discernimento das pessoas e imaginam que todos são presas fáceis de suas manipulações e malversações.
Eu me sinto envergonhado, como gaúcho, pelo lixo de jornalismo do maior jornal gaúcho, pela falta de seriedade, pela ausência de ética, pela arrogância de quem olha o povo de cima, pela forma ardilosa como malversam a informação e tentam manipular a construção de uma suposta opinião pública.
A lucidez, o discernimento e o ter opinião, são virtudes. Que tenhamos, pois, virtudes para não sermos manipulados e virarmos escravos das mentiras da RBS.