sábado, 26 de dezembro de 2009

O pós-natal


Da chegada do natal, a meia noite, ouvi apenas os foguetes. Desliguei o celular e dediquei-me a leitura de um conto de Júlio Cortazar. Sozinho, como sempre, fiquei alheio às festividades e fiquei feliz por que o Totó, magicamente, procurou-me. (Ele some vários dias). Liguei a TV apenas na TV Escola, é a melhor forma de não me contagiar com as festas. Distância. Foi uma noite opaca, sem sonhos nem pesadelos.

Ao meio-dia, ao contrário do que faço, resolvi fazer meu próprio almoço. Quando liguei meu celular, recebi as mensagens do amigo Clovis Brum e da amiga Nadine Dubal.

E assim fui levando o dia. Sempre evitando me contagiar com algo que me levasse a uma depressão mais complicada. Li “Graziella” de A. Lamartine e as horas fluíram. Quando vi, já era alta tarde. A amiga Marta me liga e me convida para conversamos. Explico-lhe que estou sem ânimo, abatido e ainda recolhendo cacos de fragmentos e tentando encontrar alguma lógica em tudo. Paralelo ao livro, olho as notícias, troco e-mails com o Ruy Gessinger e com o Alexandre Caburé. Como pepinos com pão e mortarda. A angústia e a ansiedade geram uma fome estranha.

Finalmente, a tarde começou a cair. O mormaço é nauseante e pegajoso. Mas o chegar da noite me anima, pareço rejuvenescer vampirescamente ante o padecer do dia enfadonho e a saudável chegada da noite.

Renasci. Meu ser é invadido por outros contornos. Os fantasmas estão exorcizados e se não foram embora, definitivamente, pelo menos foram transitoriamente.

Sobrevivi a uma terrível náusea. O abismo dos vômitos, a alma partida, uma dor que machucava meu peito. Mas, enfim, vivo. Não sei bem ainda o sentido de tudo, mas sigo tateando incerto, reafirmando que sempre espero pela superação do caos e pela esperança do brotar de estrelas cintilantes.