sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sobre Jaguari e a Eliziane

Essa noite, por volta das 3 horas da manhã, observava - sem nada pronunciar - a dedicação da Eliziane dissecando e fazendo anotações num livro de 1940, intitulado JAGUARI, de autoria de Cyncinato Brandão.

Se ela fosse filha do Dr. Valdir Amaral Pinto, não seria tão parecida. Explico-me.

Em nossa última visita ao Ilustre Advogado e Historiador, ele conseguiu 2 importantes livros para auxiliar na Dissertação de Mestrado da Eliziane, que é sobre ERNETO ALVES.

O curioso é que o Historiador conseguiu um exemplar desse livro, JAGUARI, num sebo virtual, em POA, recentemente, e tratou de adquiri-lo, pois sabia ser útil à Dissertação da Lizi, a quem ele está ajudando e muito, principalmente na formação da parte histórica e sociológica.

A Lizi olhava, lia e olhava esse livro. Virava de lado para ler os rodapés remissivos às ilustrações fotográficas e anotava em pequenos papeis dados sobre vegetação, população...Quando ela se impressiona sobre a população de Jaguari, à época, quase o quádruplo de hoje, exclama e interrompe a leitura que eu fazia.

O outro livro que o Dr. Valdir conseguiu para ela é O GIGANTE MISSIONEIRO, de Evaristo Afonso de Castro, datado de 1951, um poemeto histórico e geográfico.

A Eliziane tem um lado italiano forte. Seu avô materno é QUIDO PIVOTO, de cujus, natural de São Francisco de Assis. O único irmão de Quido, Dejalmo Pivoto, é ainda vivo e vive no mesmo município. Talvez venha daí seus cabelos semiamarelados e seus olhos azuis. Afinal, da parte paterna, são morenos, judeus marranos, conjunção de SALDANHA, BRAGA e MELLO. Como a Lizi nasceu e cresceu na localidade de Puitá, no interior de Maçambará, noto que ela se ressente de uma identidade municipal mais forte, afinal,no meio do caminho, eles se relacionam com Itaqui, São Borja, São Francisco, Alegrete e Manoel Viana...logo, não se relacionam com ninguém em termos de criação de identidade municipal mais forte. É claro que existe a identidade local, mas essa se dá muito esparssa e fragmentária. E quando ela começa introjetar, viajar e entender as raízes de povos, como no caso de Jaguari, noto que uma paixão aflora ao lado de uma certa frustração. A paixão, é pela compreensão das identidades dos povos, e a frustração não explícita, decorre - creio - pelo ausência dessa identidade em Maçambará.

Assim vamos indo. A Lizi está em fase adiantada da conclusão da redação de sua dissertação de Mestrado sobre Ernesto Alves. Passa horas e horas escrevendo e pesquisando dados. O levantamento de mapas e a parte de ecologia e caracterização de solo e paisagem já foi feita.

O que eu mais admiro é que ela entra e mergulha na história desses povos com um espírito que raramente é próprio de pessoas com a idade dela, afinal com 25 anos, ainda não temos essa veia histórica aguçada para tais viagens e compreensões, mas - afinal - ela a tem e nisso, particularmente, ela cria uma identidade comigo e com pessoas como o Dr. Valdir Amaral Pinto e ourtros tantos que gostam de catalogar dados, lidar com livros velhos e manusear fatos passados.