Ligo meu computador e inicio minha rotina digital. Verifico meus e-mails. Vejo os blog locais, DSM, ZH, Correio do Povo e reviso meus favoritos do centro do país: Folha, Estadão, JB e Correio Brazilienze. E, finalmente, corro até o LE MONDE, exercito meu francês e tenho uma panorâmica da política mundial e dos principais fatos da Europa e do mundo. Outras agências internacionais, outros enfoques.
Houve épocas em que morar no interior representava um isolamento absurdo. Durante as quase 2 décadas que morei em Porto Alegre e São Paulo, experimentei 2 quadros distintos. O primeiro deles, de quem saiu aqui de Santiago e teve contato com a imprensa, com o saber e o conhecimento que então era fortemente concentrado nos grandes centros. O segundo deles, foi a volta a Santiago e o convívio novamente com o isolamento. São mundos distintos. Realidades singulares. A elite de Santiago, salvo raras exceções, é uma elite burra, apenas acumula capital, via de regra, excesso do capital fundiário e desconhece o básico bom da vida. Aliás, burra e tosca, pois afirma-se na aparência de casas e carros, apenas esteriótipos, e mergulha num incrível analfabetismo funcional cultural. Nossa elite não tem leitura, não conhece a literatura russa, não conhece a literatura francesa, não conhece a literatura alemã, não conhece a literatura americana, não conhece a literatura latinoamericana, não conhecem artes, não conhecem pinturas, não conhecem música clássica, nada sabem de escultura, viram falar em Rodin por causa da operação da Polícia Federal e imaginam que Camille Claudel foi alguma atriz do cinema francês.
Nossa elite acha que cultura é conhecimento enlatado, tipo esse que é vendido por algumas universidades, mas em compensação sabem tudo sobre a nova versão do carro tal e da camionete xis. Até é uma pena, pois tendo recursos, bem que poderiam tomar um banho de cultura, de arte e de erudição. Mas não! Suas esposas, as mais finas, adoram as Vitor Hugo da plástico chinês compradas em camelôs chiques. E nem estou falando nas montblanc e rolex de Rivera e gravatas de seda javanesa. Adoro essas aparências. Como diria Roberto Carlos, aparências nada mais. Afinal, essência, conteúdo, ... Se não sabem o que ler, o que dirá - então - de escrever.
Aqui, muito pensam que cultura é teatro e fogureira de São João com pinhão. Xô.
Hoje em dia a vida está tão mudada. A internet foi a maior de todas as revoluções. Só que é preciso compreender isso e como se processou tal fenômeno. Mas sabem?
A internet me proporciona uma leitura instantânea dos principais jornais do mundo e do país, a internet me proporciona um blog, onde eu posso escrever, externar sentimentos e até sugerir que nossa elite tome jeito e não fique vivendo apenas no recôndito do seu mundo babaca, limitido e cercado de aparências.
Penso eu, em minhas elucubrações, que se nossa elite tivesse algo na cabeça, além de convenções e obviedades, com o poder aquisitivo que detém, poderia realmente empreender um papel de vanguarda, promovendo aí - sim - uma aposta concreta na qualidade, na excelência, na ciência, na tecnologia, na cultura e nas artes. Imaginem que salto o dia em que associarmos qualidade, excelência, tecnologia e cultura clássica?
Isso é possível?
Na minha cabeça sim. O primeiro passo era o fomento público propugnando pela internet grátis para toda a população, cobrando apenas um custo de manutenção. Segundo, algum centro unversitário local, (ACHO QUE A URI JAMAIS VAI ENTENDER ISSO) deveria fomentar a qualidade e a excelência, seja em letras, em história, em direito, em ciências ... E o exemplo eu já mostrei lá no oeste bahiano e os dados e números estão aí, pífios e ridículos, os índices de produtividades municipais apenas corroboram o individualismo, a ganância, a ausência de coletivismo e a mesquinharia como um valor institucional. E TEMOS QUE ROMPER COM ESSA TRADIÇÃO ARCAICA DA MENTALDIADE LATIFUNDIÁRIA. Terceiro, é nos abrirmos para o mundo e pararmos de ver o mundo a partir de nossos próprios umbigos, precisamos sair, alargar nossos horizontes, descobrir novos valores, novos paradigmas.