segunda-feira, 10 de maio de 2010

O atraso e o ódio


Sábado recente, visitando a área de Ernesto Alves, onde a Eliziane delimitou para trabalhar como objeto de estudo de sua tese de Mestrado, lembramo-nos daquela história, lá do início, quando ela estava empenhada em descobrir algum levantamento por satélite da área. O google, não tinha. Tentou, orientada pelos professores, encontrar tal serviço no Brasil, nas nossas fontes. Procurou, procurou e nada. Finalmente, descobriu que um grupo francês tem todo o levantamento da área...e é claro, quem quiser ter acesso, deve pagar em euros.

O exemplo sintetiza bem nosso atraso científico e tecnológico. Prá ficar nisso. Sempre tive consciência disso e sou parceiro e aliado de quem compreender a extensão desse atraso e a necessidade de ruptura com o arcaísmo, pois só assim poderemos dar um salto na modernidade. O primeiro passo é não mentirmos para nós mesmos e admitirmos nossas limitações. A honestidade acadêmica é um princípio que deve nortear nossos rumos. Aversão à mentira acadêmica, combate à fraude a ao estelionato, seriedade com a busca intelectual, aceitação e reconhecimento de nossas limitações são grandes indicativos de passos sinceros. Pensamentos arcaicos de famílias que se acham donas da URI, é outro exemplo. E quem pensa que isso é invenção de período eleitoral, pergunte para um filhinho da mamãe que tentou impedir meu acesso à direção da URI. Existe pensamento mais retrógrado, mais autoritário, mais arrogante, mais pedante?

Por outro lado, se no planalto predomina a expansão das vocações autoritárias, na planície, as notas do ENEM revelam o caos, a mediocridade, a pobreza intelectual e a miséria acadêmica de nossa gente. As péssimas notas revelam que temos péssimos professores. E não é novidade nenhuma em Santiago que os professores me odeiam, na campanha eleitoral ficou visível o ódio e a revanche. Sabem eles que estou preocupadíssimo com seus baixos sentimentos.

Em Santiago ninguém tem coragem de dizer que existe uma escola de plágios, de colagens, onde o que é escrito por terceiro é inescrupulosamente assumido por farsantes que se apresentam como autores de textos e trabalhos de outros. Essa escola de farsa, de mentira, de engodo, de empulhação, de engano, precisa ser atacada na origem, posto que ela é multidisciplinar e eu sei bem o que estou dizendo.

Se por um lado, grassa essa escola de empulhação e embuste, onde a tapeação e a farsa andam de mãos dadas, nossos horizontes intelectuais não passam à ponte do rio Rosário. O que farão essas crianças, produto dessa onda docente medíocre, quando concluírem seus estudos? Pagarão para entrar numa universidade sem critérios, e isso é privilégio para poucos, ou vão engrossar o patético exército industrial de reserva santiaguense, vivendo das benesses públicas e tocando uma vidinha aboletada com as novelas da globo e o show do Faustão ou do Gugu. Ou – se preferirem – rindo das pegadinhas do SBT.

Vivemos em estágio absoluto de alienação. Triste alienação, onde a pessoa, pouco a pouco, vai nadificando-se na medida em que o complexo superestrutural se constitui na totalidade do Estado. Assim, ficamos todos acomodados na miséria material e moral, tornando-nos incapazes até de sonhar com a concepção utópica de uma sociedade de luzes.

A grande maioria dos professores que levaram os alunos de Santiago ao caos, revelado nas notas do ENEM, ainda não acordaram do sono infantil do comunismo e das decorebas prontas de catecismos pedagógicos esquerdistas, vivendo de fachada, de chavões. Mal tem consciência que são ocos, vazios, medíocres. Julgam-se donos da verdade e fazem das salas de aulas o laboratório de reprodução da ideologia que os conforta, a repetição discursiva que esconde obtusidades intelectuais e reduz o saber às suas heresias e crenças. E aqui é a culpa é coletiva, a começar pelos cursos de licenciaturas. Já prometi que depois da eleição vou ampliar esse debate.

Ensinar pressupõe uma disposição constante a reflexão e ao debate. Entretanto, aqui em Santiago a crítica, a reflexão e o debate são vistos como sinônimo de polêmica, de confusão. Fingimos que somos todos bons, poetas, gente de conhecimento. Mas as notas dos nossos alunos estampam nossa vergonha maior. Não temos conhecimento acumulado, não temos pesquisas sérias, não temos saberes tecnológicos e nem fontes produtoras. Somos um lupenzinato, nada mais que isso. E nossos professores precisam estudar mais, descobrirem outros horizontes intelectuais e lerem menos catecismos, sejam eles da ideologia que forem.

É duro tudo isso? Sim ! Mas esse é o primeiro passo para uma decisão. Ou ficamos onde estamos, dando voltas em torno de nós mesmos, ou transcendemos. A transcendência, é o caminho mais difícil, mais longo e mais doloroso. O dia em que tivermos uma livraria e público para comprar livros, estaremos dando o primeiro passo. Por enquanto, é melhor fazer como fizeram comigo logo após o post de ontem. Atacarem-me. É sempre melhor e mais cômodo assassinar simbolicamente quem futrica e fuça do que assumir os erros coletivos, que só os que fuçam sabem identificar.

“A doutrina materialista de que os seres humanos são produtos das circunstâncias e da educação, [de que] seres humanos transformados são, portanto, produtos de outras circunstâncias e de uma educação mudada, esquece que as circunstâncias são transformadas precisamente pelos seres humanos e que o educador tem ele próprio de ser educado”. (3ª tese sobre Feuerbach).