Hoje é meu aniversário. Com certeza, o melhor aniversário de minha vida.
Nasci num bairro pobre de Santiago; meu pai era guarda-noturno e minha mãe era doméstica. Meu pai nunca teve uma casa dele e nem minha mãe. Eu também não tenho uma casa minha até hoje.
Sempre gostei da política, mas nunca me locupletei na política. Estive nos principais epicentros dos fatos políticos, inclusive na assessoria de um senador que foi candidato à vice-presidente do Brasil junto com Lula. Orgulho-me de amar a política, de conhecer a política e de nunca ter feito escadinhas usando a política.
Assessorei durante 10 anos e 4 meses os órgãos centrais da Fazenda Estadual, só eu sei como eu conheço esse Estado por dentro. Quando o então corregedor-geral da Receita Federal quis escrever um livro, antes de cair doente, Moacir Leão veio em Santiago e convidou-me para escrever um livro com ele...sobre a Receita Federal e as máfias criminosas que atuam em âmbito federal.
Das poucas coisas que me arrependo foi ter largado a faculdade de Direito, no 9° semestre, no ano de 1992, em Porto Alegre. Embora, 13 anos depois, tenha concluído o curso, aqui em Santiago, eu nunca mais consegui pegar o fio da meada, mas a culpa é exclusivamente do meu desejo de ser uma coisa que, a rigor, não existe, que é uma espécie de jornalista/sociólogo. E sou totalmente apaixonado pela escrita e pelo jornalismo, apesar de saber o quanto isso me sacrifica.
Morei 16 anos em Porto Alegre, São Paulo e Brasília. Em termos de busca material, consegui tudo o que quis, de forma lícita, estudei em boas universidades, comprei bons livros, comi em bons restaurantes, conheci bons lugares, pessoas e o poder. Eu conheço o poder por dentro e por um viés que poucos conhecem.
Mas eu não tinha uma identidade. Era uma pessoa totalmente infeliz, vivia em crises existenciais e era obcecado com a idéia de me matar, pois a vida não me satisfazia e nem me fazia feliz. O meu primeiro e principal problema, por mais absurdo que possa ser, é que eu sempre estive numa condição econômica privilegiada e isso era contraditório com minha crença de ser socialista, não no papel, mas diante da vida. Ademais, sou um ser errante, tenho defeitos, muitos defeitos, até acho que tenho mais defeitos que virtudes.
Um dia, decidi volta e deixar para trás uma vida e uma história.
Deixei tudo para trás, matéria nunca me seduziu. Voltar a Santiago, depois de quase duas décadas vivendo em grandes cidades, era um absurdo. Mesmo assim, quis ficar...sei lá se foi Deus, sei lá se foi o destino, sei lá o que o mundo ainda me reserva.
Mas eu, que vivia só em hotéis 5 estrelas, de aeroporto em aeroporto, acabei no asilo de Santiago, comendo pedaços de mortadelas com bolachas e chá de folhas de laranjeiras. Fracassei em tudo, inclusive na tentativa de morrer. É patético tudo isso.
Quando eu conheci a Eliziane, eu estava no caos, no caos mais absurdo que um homem pode chegar.
Conheci-a dia 10 de agosto de 2002. Ela era uma jovem iniciando a faculdade, 17 anos, e eu um fracassado, ridículo, semi-morto...que só acreditava em Deus quando era para pedir que ele me levasse dessa vida. Ela gostou de mim, estendeu-me sua mão, quis ser minha amiga.
Optei por ficar em Santiago...apostei no futuro incerto e no destino.
Pausa...
Logo logo que eu cheguei a Santiago, um amigo meu, uma pessoa fantástica, ganha a prefeitura de Esteio e me liga, convidando-me para eu retornar e assumir uma secretaria municipal. Ele queria que eu fosse seu secretário de finanças. Não quis, optei por ficar em Santiago. Foi minha chance de voltar para a grande POA...passou.
Balanço...
Eu construi minha vida de forma errada. Como voltar depois de eu ter construído minha profissão e minha carreira em Porto Alegre e São Paulo? Como recomeçar depois dos 40 anos. Como reiniciar tudo de novo?
Mesmo assim, com todas as adversidades possíveis, com tudo sendo construído errado, resolvi construir uma família com a Eliziane e iniciamos juntos uma vida ... que eu não sei onde vai parar, o que vai dar...não sei nada mesmo. Poderia ser diferente?
Tudo que sei é que somos limpos. Não enganamos, não mentimos e só falamos a Verdade, por isso mesmo... nos ferramos sempre.
Eu quebrei totalmente no ano de 2009, nossos negócios afundaram de um jeito.
Hoje.
O carro que eu ando é um chevette 1991, pertence a um motorista da prefeitura e eu pago uma mensalidade de 264 reais na BV financeira. E mesmo assim quero vendê-lo. Nossa casinha, 4 peças, em nome da Eliziane, é financiada pela CEF, em 30 anos, e a mensalidade é 200 e poucos reais, fica aqui no bairro Monsenhor, bem na entrada da Bonatto. Eu estou na SERASA e no SPC pelos bancos FIAT e Greencard. Estou renegociando as dívidas do meu Jornal que tenho com a Receita Federal e com o INSS e isso implica numa mensalidade bem altinha, quase mil reais, razão pela qual não consegui regularizar todas as minhas dívidas e também, por isso, ... decidi vender nosso chevette. Bota pobreza nisso, rsrsrsrs.
Brincar para não chorar.
Eu tenho uma filha e vivo a sensação maravilhosa de poder ser pai. Pela lógica da vida, eu vou partir antes da Nina e não tenho planos de deixar a ela bens materiais, até porque isso nunca me interessou, não construi as bases para isso ... e nem a vida me terá sentido se eu viver, faustosamente, olhando à miséria dos outros nas portas da minha casa. Quero ter o essencial para viver, apenas isso. Nem roupas me seduzem.
Mas minha filha saberá quem foi seu pai.
Eu conheço esquemas e vi esquemas poderosos. Em todas as áreas e em todos os poderes. Participar ou não, é uma questão de Estado de espírito. Quando olho para trás, vejo o quanto eu acertei em ter deixado a matéria para trás. Minha companheira é querida, só eu sei o quanto ela é boa para mim, nossa filha é maravilhosa...se eu tivesse todo o dinheiro do mundo, se eu tivesse ficado com a matéria, o poder e o dinheiro que tinha quando morava em Porto Alegre, sei que jamais seria tão feliz, satisfeito e realizado quanto eu sou hoje.
De um lado, não tenho nada, nada mesmo; só eu que sei como eu vivo, basta dizer que eu estou vendendo esse chevette velho e eu e Eliziane acertamos que poderíamos andar de ônibus por um tempo...mas de outro, comemoro meu aniversário de forma tão feliz, tão realizado intimamente, tão dócil, tão satisfeito. O olhar e o sorriso da Nina ...
Meus amigos e as pessoas com quem eu ando só são do bem. Eu sou cuidadoso nas minhas escolhas.
Peço um presente a sociedade santiaguense, aos meus leitores, aos meus amigos, escrevam-me e digam-me se vocês acham realmente que eu pertenço a alguma banda podre da política?
Que banda podre é essa? Quem são essas pessoas da banda podre com a qual eu ando?
Eu não aceito a provocação de insinuação de banda podre feita pelo vereador Bianchini.
Esclareço aos leitores e amigos que é um absurdo viver no meio da contaminação de moscas que Jóckei Clube faz com a região aqui onde moramos. Pedi uma solução. O Prefeito Ruivo decidiu atender e o bacaninha, parasita do Estado, decidiu se atravessar na minha frente, como se eu estivesse mentindo.
Por isso, decidi que figuras assim não podem prosperar, sem resposta. Para começar, quero dizer que tenho base teórica, conhecimento e saber, para questionar – inclusive – o aparato legal e as formalidades embutidas nas leis; vou mostrar para a sociedade santiaguense, em nome da minha Honra, o que é justo e o que é legal. Quero explicar – didaticamente – quantos anos de contribuição um trabalhador e uma trabalhadora rural têm que ter para conseguir uma suada aposentadoria. E quero mostrar a malandragem legal que existe em militares que entram para a política, usando os partidos políticos, para conseguirem aposentadorias altamente precoces. Por mais que seja legal, não me importo com supostas legalidades, quero é ver se as pessoas da sociedade acham moral isso tudo.
Entre a legalidade e a moralidade existe um abismo. (Lembram-se do meu ensaio sobre Antígona?)
(E vou contar a história de quem tentou enfiar o vereador Gavioli por dentro do PP, para usar o mesmo esquema de aposentadoria precoce.)
É muito fácil usar as formalidades legais embutidas no aparato do Estado, viver mamando o resto da vida nos cofres públicos e achar-se a mais decente das criaturas.
Quem se acha decente demais não vê a própria indecência do seu umbigo.
Quando o vereador Bianchini assinou ficha no PP, dizendo aceitar o Programa e o Estatuto, ali ele precisava do PP para sua precoce e bem paga aposentadoria, ali ele não achava que a direção do partido era corrupta, embora para bobo ele não sirva. O que me difere de Bianchini, que insinuou que eu tenho ligações com a banda podre da política santiaguense, é que eu entendo que quem é decente não usa este tipo de artifício, se vai apenas usar o partido político, como foi o seu caso.
Só um ser que se acha melhor que os outros, uma espécie de iluminado, é capaz de agir assim, usando uma estrutura partidária, usufruindo todas as regalias possíveis e depois – bancando o bom moço – tentando provar que essa mesma estrutura é podre e corrupta, como se ele não fizesse parte de toda a engrenagem legal do Estado e da estrutura partidária que agora diz condenar.
Quem não usa o partido para esse fim, não tem nada a ver com a discussão.
Esse é apenas um dos 25 pontos que selecionei para abrir um debate com a sociedade e mostrar a farsa que esse mal chamado Bianchini, suas contradições e sua linha discursiva enganadora.
Imaginem esse indivíduo ter a coragem de insinuar que eu tenho a ver com banda podre da política santiaguense. Eu não aceito essa acusação. E também não menti quando sustentei que esse Jóckei Clube, em pleno perímetro urbano, é uma fonte imensa de contaminação nas casas das famílias do entorno. Eu não tenho nada contra as pessoas do Jóckei e nem sei quem são elas, só sei que o Jóckei polui, contamina, e que não pode estar no perímetro urbano, até é uma questão de decência e civilidade entender isso. Eu não cedo desse entendimento e vou pedir que rasguem toda legislação do município de Santiago, a começar com o Plano Diretor, se tolerarem essa situação.
No dia 12 de agosto, quando eu nasci, disseram a minha mãe que tinha nascido um HOMEM. A minha coragem não provém das armas, deriva-se da consciência e da cidadania de um HOMEM, chefe de família, pai e esposo, que não aceita vilipêndios. Minha convicção deriva-se da Verdade. Eu não desses políticos e por isso mesmo não preciso fazer joguinhos.
Quem estraga e quem ajuda CHICÃO? Raciocinem comigo:
Eu apóio o CHICÃO do fundo meu coração, meu apoio é honesto e construtivo (embora eu não seja construtivo).
Desde que o PP fechou a coligação com a governadora Yeda, em respeito ao Chicão e ao Ruivo (não tem como negar como a governadora está sendo boa com Santiago) eu nunca mais critiquei a governadora e nem o PSDB. (antes de fornalizada a coligação é uma questão, hoje é outra).
Seria totalmente incoerente de minha parte, mas totalmente mesmo, se eu dizesse que ajudava Chicão e ficasse atacando, a toda hora e até sem motivos, a governadora a qual CHICÃO, que eu apóio, está comprometido e apoiando.
Só não ve quem não quer a confusão que está armada em Santiago. Será que ninguém está vendo isso?
OUTRA QUESTÃO
Eu tenho divergências de entendimentos com esse movimento do Sindicaato Rural...mas desde que descobri que estamos todos juntos, eu elogiei o movimento deles, linkei o movimnto deles no meu blog, nunca disse uma linha contra...por quê? Para somar, para ver se eu não estrago para o Chicão, afinal maior que eu, e o que eu penso, é o sonho de elegê-lo, e essas divergências táticas não são adquedas para esse momento. É uma questão de sensibilidade. Eu não vou mudar a cabeça deles ofendendo-os nesse momento, mas eles vão ver que eu - que estou com Chicão - sou respeitoso com eles e com o movimento que eles representam tem lá suas sérias razões. De repente até eu me convenço que eles estão com a razão, por que não?
RUIVO
Ruivo me disse que a governadora é boa para Santiago. Eu confio no Ruivo e no governo dele. Ruivo não formou um governo de guriazinhas subservientes que não sabem redigir uma folha de ofício sem erros. Ele formou um governo assentado na competência e na qualificação, um bom governo, diga-se de passagem. Noto que o Júlio gosta de governar com talentos e ele não usa o cargo para nomear beldadezinhas engraçadindas que dizem amém a tudo o que ele diz. Por isso, sua assessoria é porrada, eficiente, cheia de machos e mulheres maduras, onde a competênia não substituiu atrativos corpóreas e nem dotes físicos.
O que temo perder com isso?
Eu não temo nada. Nem a morte, nem o desconhecido, medo é uma sensação que eu pouco conheço. Se eu tivesse medo, até acho que seria um ser mais normal...
Embate e a vida?
A vida só me terá sentido se eu tiver um bom combate. Perder o quê?