Raul Pont participou de um debate com os raros petistas de então e com a juventude socialista do PDT; se pegou num debate com o Adilson Lima e só não ficou mais porque seguiu num ônibus da Planalto que ia por Cachoeira do Sul e saia daqui ás 22 horas. Já o Olívio posou em nossa cidade, fizemos um carreteiro em sua homenagem em minha casa e depois saiu para os barzinhos com o César Moura e seu violão.
Na eleição de 1982, Olívio concorreu ao governo do Estado e Raul concorreu ao Senado.
Raul Pont foi deputado estadual, foi deputado federal, foi prefeito de Porto Alegre e voltou a ser deputado estadual, de onde nunca mais saiu. Tem um eleitorado cativo, fiel, e é uma pessoa fantástica de se conviver, é um homem profundamente sincero, sério, afora – é claro – ser um dos maiores intelectuais do nosso Estado.
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| O belga Ernest Mandel |
Em 1983 passei no vestibular de sociologia na Universidade Federal, cursei um semestre e devido ao fato de estar trabalhando durante o dia na assessoria do então deputado José Paulo Bisol, consegui transferência para a Unisinos, onde havia o curso noturno.
E foi exatamente lá que conheci melhor Raul Pont, pois foi meu professor de Ciência Política e reputo-o como um professor dedicado, um exemplo. Os professores da URI deviam seguir seu exemplo: começava suas aulas exatamente ás 19 horas e terminava exatamente às 22.35. Obedecia rigorosamente os minutos e era famoso por essa rigidez.
Nós tínhamos um ônibus da Central que saía exatamente da frente do teatro São Pedro e todos nós daquela gurizada de Assembléia preferíamos o ônibus, assim evitávamos aquele trânsito louco e engarrafado de Porto Alegre até São Leopoldo. Como ficávamos sempre para voltar nos últimos ônibus eu, Jairo Bisol e Vladimir Barreto, quase sempre encontrávamos com Raul e aí os papos fluíam e a viagem passava rapidamente. Jairo Bisol é Procurador no Distrito Federal e Vladimir Barreto formou-se na Unisinos, mestrou-se e doutorou-se na Sorbonne e hoje coordena o IFCH da própria Unisinos.
Nunca mais tive outro professor como o Raul Pont. Ele dava aulas fazendo nós estudar “O Capital”, de Karl Marx, na fonte, toda a sala de aula lendo um pouco, cada um lia um pouco. Era fantástico. Com ele tomei ciência de outros pensadores como Antônio Gramsci, Caetano Mosca, Togliatti, Althusser ... ... Quando eu fazia pós-graduação em produção textual uma colega me perguntou de onde eu achava que sabia sobre Althusser? Respondi a ela que há muitos anos atrás, na faculdade de sociologia, eu já havia estudo Althusser...ela – que não sabia que eu tinha formação acadêmica em ciências sociais, saiu-me com um deboche: - “conta outra”.
Raul é uma pessoa muito aplicada e formou uma geração fantástica em torno de suas ideologias e crenças. Só pelos bancos da faculdade de sociologia, onde eu estudei, passaram Marco Maia, atual presidente da câmara dos deputados, Miguel Rosseto, que foi vice-governador gaúcho e Ministro de Estado...o próprio colega de Raul de parlamento hoje, Ronaldo Zulke foi um grande e destacado líder dentro da Unisinos. Aliás, outra pessoa fantástica, séria e coerente. Ronaldo veio de Santa Rosa, casou-se com a Inês Utzig e lançou-se na construção do PT em São Leopoldo...só não estudou no nosso centro de humanidades e ciências sociais, ele formou-se em informática e era ligado a outro centro. Agora lembro-me, também, que o deputado petista Daniel Bordinhon também estudou História no nosso centro, mas depois ele foi embora e formou-se na então FAPA, ali no Passo da Areia.
Durante os anos em que estudei nessa Universidade, especialmente no curso de sociologia, não tive boas relações com o PT, mas preservei grandes amizades e admiração por essas pessoas fantásticas e historicamente coerentes.
Certa vez, a fim de provocar o Raul dissequei seu livro "Da Crítica ao Populismo à Construção do PT", editado pela Seriema, onde ele mete o pau no trabalhismo, esse mesmo que hoje integra a base aliada do governo Tarso. Tenho até hoje o livro do Raul todo anotado com canetinhas coloridas e cheio de observações.
Hoje compreendo o PT como ninguém, mas foi necessário trilhar o caminho mais espinhoso possível, custei muito, mas descobri o que sempre quis entender e compreender.

